Obama usará discurso na ONU para pedir apoio no combate ao EI

Presidente americano quer medidas para conter fluxo de militantes estrangeiros para o grupo e outras organizações terroristas

Cláudia Trevisan, enviada especial / Nova York, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2014 | 10h55

NOVA YORK - O presidente Barack Obama usará seu discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) na manhã desta quarta-feira, 24, para pedir apoio mundial ao combate ao Estado Islâmico (EI) e outros grupos radicais e defender medidas que ataquem os fatores que dão origem a organizações terroristas do gênero. O americano falará por volta das 10 horas (11 horas pelo horário de Brasília), logo depois da presidente Dilma Rousseff, que abre o encontro.

Na segunda-feira, Obama autorizou ataques aéreos a posições do EI na Síria, abandonando a resistência de intervir na guerra civil iniciada há três anos e meio, na qual cerca de 200 mil pessoas morreram. Desde o mês passado, os EUA já bombardeiam regiões controladas pelo grupo no Iraque.

"Em relação ao Isil, o presidente convocará o mundo a se unir a ele nos esforços de degradar e, no fim, destruir essa organização terrorista", disse um assessor da Casa Branca, usando o antigo nome do grupo, Estado Islâmico no Iraque e no Levante. "No entanto, ele vai falar de maneira mais ampla sobre a necessidade de atacar as forças que dão origem ao Isil - ideologia extremista, conflitos sectários e a necessidade de mais alternativas afirmativas ao terror."

À tarde, Obama vai presidir reunião do Conselho de Segurança da ONU que deve aprovar proposta de resolução dos EUA para conter o fluxo de militantes estrangeiros para as fileiras do EI e outras organizações terroristas. O serviço de inteligência americano estima que 15 mil estrangeiros lutam ao lado de guerreiros extremistas no Iraque e na Síria. Desses, 3 mil seriam ocidentais.

A proposta obriga todos os países integrantes da ONU a adotarem legislação para dificultar o trânsito de potenciais radicais em seus territórios e punir criminalmente cidadãos que decidirem se juntar ao grupos extremistas.

Obama também fará referência à crise na Ucrânia, ao surto de Ebola, ao processo de construção de um governo inclusivo no Iraque, à sucessão no Afeganistão, às negociações nucleares com o Irã e ao combate da mudança climática.

"O presidente Obama vai apresentar uma ampla visão da liderança americana em um mundo em transformação. Ele fala em um momento no qual há claro desconforto em relação a vários desafios", declarou o assessor.

Obama tem se esforçado para dar um caráter coletivo à ofensiva contra o EI, enfatizando o apoio de cinco países árabes aos ataques na Síria. Alguns países, entre os quais Irã, criticaram a ação e sustentaram que ela contraria a legislação internacional. A operação não foi aprovada pela ONU, não foi solicitada pelo governo sírio nem é uma resposta a ataques contra os Estados Unidos vindos do território sírio.

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