Obama usará nova estratégia para lidar com Tel-Aviv

Cenário. Matt Spetalnick e Jeffrey Heller

SÃO JORNALISTAS DA REUTERS, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2013 | 02h09

Depois de quase quatro anos de um relacionamento conflituoso com Binyamin Netanyahu, o presidente dos EUA, Barack Obama, está prestes a tentar uma tática diferente - passar por cima do premiê de Israel e dirigir-se diretamente aos israelenses. A primeira visita de Obama a Israel, na próxima semana, embora inclua encontros com Netanyahu, deverá se concentrar no restabelecimento de relações com uma população circunspecta e garantir a ela que ele está profundamente comprometido com sua segurança e seus interesses.

Todas as indicações são de que Obama espera, com essa estratégia, influenciar mais Netanyahu - que ficou politicamente enfraquecido na eleição de janeiro, na qual os candidatos de centro tiveram um ótimo desempenho - no sentido de se buscar uma solução pacífica com o Irã e, eventualmente, quebrar o impasse das conversações entre palestinos e israelenses. No entanto, a tarefa não será fácil.

Obama precisará superar as suspeitas israelenses, que persistem desde seus primeiros dias no cargo, quando pressionou Netanyahu a congelar a construção de assentamentos e também tentou uma aproximação com o Irã, arqui-inimigo de Israel, o que não durou muito.

Além disso Obama, conhecido pela posição mais fria e distante que assume em público, raramente adota o tipo de diplomacia estilo "sinto sua dor", adotado por Bill Clinton para seduzir israelenses e palestinos. Mesmo assim, alguns especialistas em Oriente Médio afirmam que Obama poderá se beneficiar com essa nova abertura para atrair a confiança da sociedade israelense, nesta primeira viagem ao exterior de seu segundo mandato.

Sua visita se realiza num momento em que as preocupações estratégicas de Israel e EUA estão mais alinhadas, o que não se observava havia muitos anos, com o impasse nuclear com o Irã num estágio crítico e a guerra civil na Síria considerada uma ameaça à estabilidade regional.

No entanto, existe também um risco de rompimento. Muitos israelenses estarão esperando que Obama reafirme sua determinação de fazer o que for necessário, incluindo o uso da força militar, para impedir o Irã de fabricar armas nucleares.

O presidente americano, porém, não deverá ir mais além, apesar dos apelos repetidos de Netanyahu para os EUA adotarem uma "linha vermelha" mais estrita. Obama, que insiste que não está blefando com relação a uma ação militar contra o Irã, caso as demais tentativas fracassem, disse a líderes judeus dos EUA que dá pouco valor a uma "bravata" apenas para parecer duro.

Para a Casa Branca, os israelenses ainda precisam chegar a um consenso sobre como enfrentar o Irã, basicamente deixando de lado, ao menos no momento, as ameaças de Netanyahu de um ataque contra instalações nucleares iranianas, disse uma fonte com conhecimento da posição do governo.

Obama deverá sublinhar a necessidade de se aguardar com paciência o resultado das sanções e do trabalho diplomático. Entretanto, as autoridades americanas esperam, também, que a reafirmação de seu compromisso com a segurança de Israel aumente a pressão pública sobre Netanyahu, evitando que a situação se agrave enquanto as potências mundiais negociam com Teerã. A visita do presidente está sendo orquestrada para apresentá-lo como um bom amigo de Israel. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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