Obama vai a escola palco de massacre nos EUA

Presidente era esperado no final da noite; polícia retifica detalhes da tragédia

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2012 | 02h05

Ainda sem resposta para a tragédia na escola primária Sandy Hook, Newtown foi tomada ontem por informações desencontradas e rumores, pela emoção da divulgação de fotos e da curta história de vida de suas 20 vítimas entre seis e sete anos de idade e pela espera da visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Uma missa pelas vítimas na igreja Santa Rosa de Lima foi suspensa após ameaças.

A chegada de Obama na cidade estava prevista para as 19h30 ( horário de Brasília). Antes do discurso na escola de ensino secundário local, no final da noite, ele conversaria com a família de Victoria Leigh Soto, a professora de 27 anos. Considerada heroína da tragédia, ela escondera seus alunos em armários ao ouvir os tiros e foi ao encontro do atirador, a quem disse que os estudantes estavam na sala de ginástica. Ele a matou com um tiro. Mas seus alunos saíram ilesos.

A visita de Obama teria o objetivo de trazer conforto às famílias das vítimas e repetiria seu gesto em Aurora, no Colorado, depois do massacre de 12 pessoas em uma cinema em julho.

Havia a expectativa de Obama voltar a defender a aprovação de uma nova legislação federal de controle do comércio de armas nos Estados Unidos. A lei anterior fora revogada em 2004. Ontem, o governador de Connecticut, Dan Malley, defendeu a medida em entrevista à CNN.

Retificações. Ontem, foram esclarecidos dados divulgados e coletados inicialmente pela imprensa sobre o atirador, Adam Lanza, de 20 anos, e sua mãe e primeira vítima, Nancy.

Autoridades de ensino local informaram que Nancy nunca atuou como professora na escola Sandy Hook, como havia sido dito antes, mas não chegaram a confirmar nem a descartar se Adam havia estudado ali quando criança. Nancy foi descrita como uma mulher divorciada que concentrara-se na educação do filho, a ponto de retirá-lo da escola em alguns períodos e educá-lo em casa. Não foi confirmado se Adam, que tinha dificuldades de convívio social, tinha algum tipo de transtorno psiquiátrico.

Nancy foi descrita como uma entusiasta de armas, que ensinara os filhos a usá-las e mantinha em casa duas pistolas, ambas devidamente registradas. Marsha Lanza afirmou que sua cunhada tinha armas por questão de defesa pessoal. "Ela morava sozinha. Ela era uma mulher sozinha", afirmou para a rede de televisão NBC. Seu ex-marido, Peter Lanza, executivo da GE Energy Financial Services, não adicionou elementos para explicar o episódio. "Nós também estamos perguntando o porquê", afirmou.

Com base nas informações coletadas pela polícia, a imprensa americana reconstruiu a sequência de atos de Adam. Ele usou uma das armas da mãe para matá-la, muniu-se de outras duas e dirigiu, no carro dela, até a escola primária. Não foi recebido voluntariamente, como dito nas primeiras horas depois do crime, mas quebrou uma vidraça, por onde ingressou no prédio.

Ele usou apenas uma das armas, um rifle de assalto Bushmaster calibre 0.223, de finalidade militar. Atirou nas primeiras pessoas que encontrou - a diretora Dawn Hochsprung, de 47 anos, e a psicóloga Mary Sherlach, de 56 anos - e tentou entrar em uma sala de aula, mas a porta estava trancada. Na sala seguinte, cheia de alunos, disparou. Alguns corpos receberam 11 tiros.

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