Obama vai a Israel com baixa expectativa

Muitos esperam que ele pressione pela retomada do diálogo de paz, mas analistas estão céticos

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2013 | 02h09

O presidente americano, Barack Obama, inicia hoje uma viagem de quatro dias ao Oriente Médio com a missão de reparar as relações com Israel e conversar sobre questões que afetam a região, como a Primavera Árabe. Obama chega amanhã a Jerusalém acompanhado do secretário de Estado, John Kerry, em sua primeira visita a Israel como presidente, já em seu segundo mandato.

A viagem despertou a expectativa de que possa impulsionar o diálogo de paz entre palestinos e israelenses, paralisado desde 2010, mas analistas manifestam seu ceticismo. A realidade política na região não cria condições de que israelenses e palestinos retomem negociações diretas. Reconhecendo as profundas diferenças entre os dois lados, a Casa Branca antecipou que Obama não discutirá iniciativas de paz, mas em um futuro próximo enviará Kerry à região para ver se progressos podem ser obtidos.

Líderes e acadêmicos palestinos manifestaram ontem sua decepção com Obama pelo fato de ele ainda não ter condenado as construções nos assentamentos judaicos. O presidente americano descartou durante uma entrevista a possibilidade de exigir de Israel o fim das construções nos assentamentos em território palestino.

Segundo Obama, os israelenses deveriam perguntar a si mesmos "se os assentamentos tornam mais difícil ou mais fácil para os moderados palestinos retornar à mesa de negociações". Desde 2009 os palestinos condicionam a retomada das negociações ao fim de todas as atividades de construção em assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, que Israel capturou durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Na cidade de Belém, Cisjordânia, manifestantes jogaram ontem sapatos contra um banner com a foto de Obama e pintaram suásticas na imagem antes de queimá-la. Muitos palestinos acusam os EUA de pender em favor de Israel. O professor de ciências políticas na Universidade Birzeit, Ahmed Rafqi Awad, acredita que a negligência dos EUA na hora de conter a colonização israelense é uma clara mensagem aos palestinos de que devem aceitar o confisco de suas terras.

Durante sua visita à cidade de Ramallah, onde se reunirá com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, Obama poderá ver de perto o avanço dos assentamentos. Da sede do governo palestino é possível ver o assentamento de Beit El, que semanas atrás recebeu autorização do governo de Israel para construir 90 novas casas. "Os assentamentos ocupam 65% da Cisjordânia e converteram suas cidades e povoados em pequenos cantões isolados, sem nenhuma continuidade territorial", disse o especialista palestino Abdul Hadi Hantash.

'Mão de paz'. O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou ontem que seu novo governo estende a "mão de paz" aos palestinos e declarou que está disposto a concluir um "compromisso histórico" se eles voltarem à mesa de negociações. Netanyahu fez a declaração antes de uma cerimônia de posse de seu novo governo de coalizão, formado após semanas de negociações após as eleições parlamentares de 23 de janeiro. O novo gabinete, integrado por políticos de linha dura e moderados, parece ter como foco mais as questões internas do que a busca da paz. Espera-se que Netanyahu aproveite para pressionar Washington sobre seu compromisso de apoiar Israel ante um eventual ataque do Irã.

Antes de partir para a Jordânia, Obama depositará flores no cemitério nacional israelense, no Monte Herzl, e no Museu do Holocausto (Yad Vashem). Também visitará a Igreja da Natividade em Belém, templo sagrado para o cristianismo que fica em território palestino.

Na Jordânia, Obama se reunirá com o rei Abdallah e conversará sobre reformas políticas e econômicas - necessárias em um país que enfrentou manifestações de descontentamento social na Primavera Árabe - além do conflito na Síria e a importância da Jordânia como mediador. A Jordânia acolhe cerca de meio milhão de refugiados sírios.

Nomeação. O presidente Obama nomeou ontem Thomas Pérez, chefe da Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça, como novo secretário do Trabalho. Pérez, de 51 anos e filho de dominicanos, é o único latino nomeado no segundo governo de Obama e terá um papel-chave na reforma das leis de imigração. Obama ainda deve escolher os responsáveis pelos departamentos de Comércio e Transporte, a Administração da Pequena Empresa e o representante comercial. / AP, EFE e AFP

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