Terry Renna/AP
Terry Renna/AP

Obama vai tentar acordo fiscal rápido com republicanos se reeleito

Segundo assessores, democrata deve se aproximar de opositores para discutir o assunto

Reuters

06 de novembro de 2012 | 09h43

WASHINGTON - Caso seja reeleito nesta terça-feira, 6, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve iniciar rapidamente, talvez já no dia seguinte, a negociação de um acordo bipartidário que evite o "abismo fiscal" que ameaça levar os EUA para uma recessão, disseram assessores democratas no Senado na segunda-feira.

 

Obama poderia, por exemplo, dizer aos republicanos que, passado o duelo eleitoral, é hora de buscar um terreno comum para lidar com o fim das isenções tributárias da era Bush e com a entrada em vigor de cortes de gastos públicos, dois fatores que sugariam US$ 600 bilhões da economia dos EUA a partir do começo de 2013.

"Ele deseja que o processo comece imediatamente", disse um assessor. "Poderíamos avançar rapidamente", afirmou outro assessor, explicando que os ingredientes básicos de qualquer acordo -maior arrecadação tributária e cortes em benefícios sociais - já estão sendo debatidos minuciosamente há dois anos. "Todo mundo sabe o que precisa ser feito", disse uma das fontes.

O Congresso entra em recesso em dezembro, e um dos assessores disse que a Casa Branca procurou importantes senadores democratas para lhes dizer que Obama espera uma definição antes disso. A Casa Branca não se manifestou.

Caso o vencedor nesta terça-feira seja o republicano Mitt Romney, a busca por um acordo de redução de déficit para substituir os cortes automáticos de gastos e as novas regras tributárias seria postergada para depois da posse dele, em 20 de janeiro.

Mas os parlamentares republicanos rapidamente iniciariam um esforço para adiar os cortes de gastos e elevação dos impostos durante um prazo de seis meses a um ano, dando tempo para a negociação de uma reforma tributária abrangente.

O presidente da Câmara, o republicano John Boehner, disse no domingo que se posicionaria para uma "ponte" temporária que permita ao novo governo e ao futuro Congresso moldarem uma solução. "Eu acho que isso seria o melhor que a gente poderia esperar, e mesmo que isso seja muito difícil de fazer", disse ele à CNN.

Os assessores democratas disseram que um acordo de redução do déficit provavelmente conteria muitos elementos de uma negociação que Obama e Boehner quase conseguiram concluir no ano passado, quando o Congresso debatia a elevação do teto de endividamento do governo. Ambos os partidos se propunham a buscar uma redução de 4 trilhões de dólares no déficit público em uma década.

Aquela negociação acabou sendo abandonada. Ela incluiria concessões dos democratas para reduzir programas sociais como o Medicare e o Medicaid, em troca de os republicanos aceitarem aumentar a arrecadação tributária.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.