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Obama vetará bloqueio a pacto com Irã

Chance à diplomacia. Presidente americano elogia nova etapa de acordo nuclear com Teerã, que permitirá a partir do dia 20 inspeções que verifiquem a desaceleração do enriquecimento de urânio, e promete aliviar sanções econômicas impostas ao país persa

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2014 | 02h02

O acordo que suspende parcialmente o programa nuclear iraniano começará a ser implementado no dia 20 e estará sujeito a inspeções periódicas nos termos de um plano de execução anunciado ontem e aprovado pelos países envolvidos na negociação. Em nota, o presidente Barack Obama elogiou a nova etapa do acordo e prometeu vetar qualquer nova sanção que seja aprovada pelo Congresso.

"Vou vetar qualquer legislação que imponha novas sanções durante a negociação", alertou Obama. "Novas sanções agora apenas ameaçam erodir nossos esforços de resolver isso pacificamente."

O presidente atribuiu o acordo à diplomacia e ao conjunto de sanções econômicas impostas ao Irã, que reduziram em 60% suas exportações de petróleo. O produto responde por quase 80% das vendas externas do país e é sua principal fonte de receita.

"Não tenho ilusões sobre quão difícil será alcançar esse objetivo, mas em nome de nossa segurança nacional e da paz e segurança no mundo, agora é o momento de dar à diplomacia uma chance de ter sucesso", ponderou Obama.

Roteiro. A data anunciada ontem marca o início da contagem regressiva de seis meses para obtenção de um pacto de longo prazo sobre o assunto. O programa prevê a liberação gradual de US$ 4,2 bilhões em ativos iranianos congelados no exterior, sujeita a verificações mensais dos compromissos assumidos por Teerã. A primeira parcela, de US$ 550 milhões, será liberada em 1º de fevereiro. "A prestação final não estará disponível para o Irã até o último dia", disse o secretário de Estado americano, John Kerry, em nota.

Negociado por Irã, Estados Unidos, China, Rússia, Alemanha, França e Inglaterra, o pacto de seis meses foi anunciado em Genebra no dia 24 de novembro. Desde então, representantes dos sete países se debruçaram sobre os detalhes técnicos de sua implementação, que foram aprovados ontem.

As seis potências mundiais e o Irã terão agora que superar desconfianças mútuas para chegar a um entendimento que garanta o caráter pacífico do programa nuclear iraniano - Teerã afirma que seu objetivo é produzir energia, enquanto os EUA e aliados sustentam que a meta real é o desenvolvimento de armas nucleares.

Integrantes de seu governo deixaram claro que o eventual descumprimento dos compromissos por parte de Teerã levará não apenas ao restabelecimento de sanções, mas ao seu incremento.

O lado iraniano também alertou que deixará de cumprir suas obrigações caso os americanos e seus aliados abandonem suas promessas, entre as quais está a não imposição de sanções adicionais à República Islâmica.

No acordo de seis meses, o Irã se compromete a limitar o enriquecimento de urânio a 5%, patamar suficiente para produção de energia, mas não para a produção de bombas. O país também aceitou neutralizar seu estoque de urânio enriquecido a 20% e interromper a instalação de novas centrífugas, usadas no enriquecimento.

Em troca, as seis potências concordaram em levantar algumas das sanções contra a nação islâmica, no valor aproximado de US$ 7 bilhões, que incluem os US$ 4,2 bilhões em receita de venda de petróleo congelados em outros países.

Catherine Ashton, chefe da diplomacia da UE e representante das seis potências nas discussões com o Irã, disse que o plano de execução do pacto foi alcançado depois de três rodadas de negociações em Genebra, a última das quais concluída na sexta-feira. Segundo ela, o documento permitirá que o acordo seja implementado de maneira "coerente e sem sobressaltos".  

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