Obama visitará zona desmilitarizada entre as Coreias

Viagem ocorre em meio a tensão por plano de Pyongyang para lançar foguete, o que iria contra pacto feito com os EUA

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2012 | 03h04

O presidente dos EUA, Barack Obama, irá no domingo pela primeira vez à zona desmilitarizada que separa as duas Coreias. A visita ocorre num momento em que o governo norte-coreano emite sinais contraditórios sobre o futuro de seu programa nuclear.

Em fevereiro, Pyongyang prometeu suspender testes com armas atômicas em troca de comida enviada pelos EUA e convidou inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a retornar ao país depois de três anos. Ao mesmo tempo, insiste no plano de lançar um foguete em abril. O país diz tratar-se apenas do envio de um satélite ao espaço, mas o Ocidente considera o lançamento um disfarçado teste com mísseis balísticos.

Se Pyongyang mantiver sua decisão, ela poderá pôr em risco o acordo fechado com os EUA no dia 26 para entrega de 240 mil toneladas de alimentos em troca da suspensão do programa norte-coreano de enriquecimento de urânio e de testes de armas nucleares.

"O lançamento do satélite é uma violação, não apenas das obrigações com as Nações Unidas, mas dos compromissos assumidos conosco", declarou em Washington a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland. O governo do Japão também condenou o anúncio de Pyongyang e ameaçou derrubar o foguete caso ele passe sobre seu território. O tema será inevitável durante reunião de cúpula sobre segurança nuclear que ocorrerá em Seul nos dias 26 e 27, com a presença de Obama.

Segundo o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, será necessário encontrar um modo de pressionar Pyongyang a abandonar seus planos. "Não importa a desculpa apresentada pela Coreia do Norte", declarou Lee, em referência ao documento que proíbe o país de realizar lançamentos de foguetes que usam tecnologia de mísseis balísticos. A Coreia do Norte sustenta que tem o direito ao "desenvolvimento pacífico" da tecnologia espacial e a colocação de um satélite em órbita.

A condenação pública de lançamento semelhante em 2009 foi o estopim da crise que levou a Coreia do Norte a abandonar as negociações sobre seu programa nuclear e a proibir a entrada no país de inspetores da AIEA. Como agora, Pyongyang sustentava que seu objetivo era a colocação em órbita de um satélite - que nunca foi detectado no espaço. Principal aliada internacional da Coreia do Norte, a China manifestou "preocupação" em relação ao lançamento do satélite.

Depois de se reunir com o enviado chinês, Wu Dawei, o negociador norte-coreano para questões nucleares, Ri Yong-ho, voltou a defender o direito ao desenvolvimento pacífico do espaço. "Em relação ao planejado lançamento pacífico de satélite, se outros aplicarem critérios duplos ou interferirem de maneira inapropriada com nossos direitos, nós não teremos outra escolha a não ser responder", afirmou Ri. / AP, COLABOROU CLÁUDIA TREVISAN

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