Saul Loeb/ AFP
Saul Loeb/ AFP

Obama volta a pedir controle de armas

Após mais uma chacina, presidente discursa em defesa da aprovação de leis mais rigorosas para o setor no país e decreta luto oficial

Cláudia Trevisan, ENVIADA ESPECIAL / ORLANDO, O Estado de S. Paulo

13 Junho 2016 | 08h47

ORLANDO - "Sabemos o suficiente para dizer que esse foi um ato de terror e um ato de ódio”, declarou ontem o presidente americano, Barack Obama, em pronunciamento sobre o ataque na casa noturna LGBT de Orlando. O líder ressaltou que a investigação do caso ainda estava em andamento e não havia uma indicação clara dos motivos do atirador. Mas disse que o caso estava sendo investigado como um ato de terrorismo.

Em uma campanha eleitoral marcada pela proposta de Donald Trump de impedir a entrada de muçulmanos nos EUA, Obama decretou luto oficial e fez um apelo para que os americanos se guiem mais pela maneira como as vítimas viveram do que pelo ódio do assassino.

“Nenhum ato de ódio ou de terror jamais mudará o que somos ou os valores que nos tornam americanos”, disse Obama na Casa Branca. “Essa é uma sóbria recordação de que ataques contra qualquer americano – independentemente de sua raça, etnia, religião ou orientação sexual – é um ataque contra todos nós e os valores fundamentais de igualdade e dignidade que nos definem como país.” 

O presidente também ressaltou o fato de que o alvo dos ataques foi um local frequentado pelo comunidade gay. “É um dia especialmente difícil para todos os nossos amigos, nossos compatriotas americanos que são lésbicas, gays, bissexuais ou transgêneros”, declarou Obama. “O atirador atingiu um clube noturno no qual as pessoas se reuniam para estar com seus amigos, dançar e cantar e para viver.”

No Twitter, Trump afirmou que estava “certo” na defesa de uma linha dura de combate ao que se refere como radicalismo islâmico. Além da proibição da entrada de muçulmanos nos EUA, o bilionário defendeu durante a campanha a tortura de suspeitos de terrorismo e o assassinato de seus familiares. 

Casos sucessivos. Repetindo declarações que realizou depois de mais de uma dezena de tiroteios em massa no território americano, Obama voltou a pedir ontem a aprovação de leis que dificultem o acesso a armas no país. 

“Esse massacre é mais uma recordação de como é fácil para alguém colocar as mãos em uma arma que permite que eles atirem em pessoas em uma escola, em um lugar de orações, em um cinema ou em uma casa noturna”, declarou o presidente. “Nós temos de decidir se esse é o tipo de país que queremos ser. E ativamente não fazer nada também é uma decisão.”

Depois da morte de 20 crianças e seis adultos na escola primária Sandy Hook, em 2012, Obama apresentou projetos de lei que ampliavam as checagens de antecedentes criminais e a estabilidade emocional dos compradores de armas. As propostas, que não foram aprovadas pelo Congresso, também restringiam a venda de certos fuzis semiautomáticos e limitavam o número de balas em cartuchos que os cidadãos podem comprar.

Brasileiros. Até a noite de ontem, nenhum brasileiro havia sido identificado entre as vítimas do tiroteio. Segundo o Consulado do Brasil em Miami, cerca de 50 mil brasileiros vivem em Orlando. A cidade também é um dos destinos preferidos dos turistas do país. A Pulse, onde os ataques ocorreram, fica a cerca de 20 minutos de carro da Disney, principal atração local.

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