Objetivo dos inspetores da ONU poderá mudar, diz Espanha

A ministra das relações exteriores da Espanha, Ana Palacio, declarou hoje, em Bruxelas, que as conversas apontam para um "consenso, porque está claro que os europeus concordam com a resolução 1441 das Nações Unidas". Palacio afirmou também os líderes europeus poderão propor esta noite a possibilidade de estabelecer "condições objetivas", em vez de prazos, para o trabalho dos inspetores da ONU no Iraque.A ministra espanhola foi a única que saiu da reunião do Conselho para resumir o que está na mesa de debate. "Creio que chegaremos a um consenso", disse ela, "sempre há determinadas tensões, mas está claro que a Europa concorda com a resolução 1441 da ONU", adotada em 8 de novembro de 2002, por unanimidade, pelo Conselho de segurança, dando ao Iraque "uma última possibilidade" de desarmamento, sob o risco de enfrentar "sérias consequências".Ana indicou que está sendo debatida e será encaminhada à Cúpula de presidentes e chefes de Estado de hoje no fim do dia, em Bruxelas, uma proposta para objetivar determinados critérios para o trabalho de Hans Blix e Mohamed ElBaradei. Fontes diplomáticas espanholas afirmaram que na lista de objetivos poderão constar a obrigação do Iraque de destruir os mísseis encontrados, permissão para mais liberdade às entrevistas com cientistas e "principalmente, a revelação das armas químicas e biológicas que o Conselho de Segurança acredita possuir o governo iraquiano".Palacio disse que a Espanha defende a posição que "a União Européia (UE) não deve substituir o Conselho de Segurança, nem duplicar o debate", e que a decisão de uma intervenção militar deve ficar para as Nações Unidas."Somos todos pela paz", afirmou a ministra, ao ser provacada se as manifestações do fim de semana não teriam colocado a Espanha em uma posição mais defensiva. "Foram manisfestações éticas, espontâneas, dos cidadãos do mundo". O presidente espanhol, José Maria Aznar, foi signatário do texto comum de oito dirigentes de países europeus (além de Espanha, assinaram Reino Unido, Itália, Portugal, Dinamarca e três do antigo Leste, Hungria, Polônia e República Tcheca), publicado há duas semanas, em diversos jornais. Juntos, os chefes de Estado e governo reafirmaram a "importância da relação transatlântica com os Estados Unidos", declarando apoio às iniciativas do presidente George W. Bush em relação ao Iraque.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.