Obra ignora opressão a jornalistas e blogs

* Crítica: Jamil Chade

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2013 | 02h06

"Esse livro não é um manifesto. Não há tempo para isso. Ele é um alerta". É assim que Julian Assange abre seu livro que serve de denúncia sobre o futuro da internet. Sua tese é simples: a maior comunicação entre as pessoas abriu espaço para uma maior vigilância e a internet seria o "maior facilitador do totalitarismo que já vimos".

Os quatro autores fizeram parte da origem do movimento Cypherpunks, grupo que deu origem ao WikiLeaks e defende uma reação da sociedade diante desse controle. A visão dos autores beira a paranoia. Segundo eles, logo governos poderão interceptar "todos as relações expressadas, todas as páginas web vistas, todas mensagens enviadas e todos pensamentos buscados no Google. E então estocarão esse conhecimento, bilhões de interceptações por dia, um poder jamais sonhado, em vastos armazéns secretos, para sempre".

Dirigido explicitamente contra o governo dos EUA e de países ocidentais, o livro praticamente ignora a opressão de ditaduras contra jornalistas e blogueiros pelo mundo. Ironicamente, o chamado às armas é fruto de um debate realizado pela RT, o canal estatal da Rússia, país acusado por diversas organizações de tentar controlar sua imprensa livre.

Os Cypherpunks acreditam que o uso da criptografia será necessário. No fundo, esse instrumento criaria ilhas de liberdade e, nesse cenário de cataclismo da democracia, apenas essa elite da informática sobreviveria. Talvez na Rússia ou no Equador.

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