Obrador instala 47 acampamentos na capital do México

A coalizão de esquerda "Pelo bem de todos", liderada pelo Partido da Revolução Democrática (PRD) do candidato a Presidência Andrés Manuel López Obrador, instalou 47 acampamentos no último domingo na Cidade do México. O grupo disse que manterá os protestos até que o Tribunal Eleitoral do Poder Judiciário da Federação aprove uma nova apuração "voto a voto" das eleições de 2 de julho. No domingo, 900 mil partidários de Obrador protestaram exigindo a recontagem dos votos das eleições presidenciais do país, na qual o conservador Felipe Calderón, do Partido de Ação Nacional (PAN), obteve a vitória.Uma equipe de campanha de López Obrador declarou que são analisadas mais medidas de resistência civil pacífica, que serão anunciadas "em seu devido momento". Os acampamentos dificultaram o tráfego da capital. Fontes do Centro de Informação Policial da cidade disseram que, apesar dos protestos no Paseo de la Reforma, não foi montado um esquema especial para atenuar o tráfego na metrópole.O secretário de governo do Distrito Federal, Ricardo Ruiz, afirmou que o plano é negociar nesta segunda-feira com os manifestantes a "liberação de algumas regiões" ocupadas. Apesar dos protestos, a liberdade de circulação não foi afetada, pois existem vias alternativas liberadas para trânsito. Ruiz disse que não utilizará violência contra osManifestantes.Já o PAN, do presidente Fox e de Calderón, criticou os protestos e disse que as forças federais só atuariam a pedido da prefeitura."É uma pena que isso aconteça com a complacência do governador Alejandro Encinas, que infelizmente deixou suas obrigações de lado e se transformou em mais um ativista da campanha de López Obrador", disse o porta-voz do PAN, César Nava.Calderón obteve a vitória contra López Obrador por uma diferença de 243.934 votos, o equivalente a 0,58 ponto percentual.López Obrador entrou com uma ação para impugnar as eleições junto ao Tribunal Eleitoral, que tem até o dia 31 de agosto para resolvê-la e até 6 de setembro para designar o novo presidenteeleito.Enquanto isso, o bispo católico de San Cristóbal de las Casas (em Chiapas, sudeste do México), monsenhor Felipe Arizmendi, perguntou se os candidatos Felipe Calderón e López Obrador "são capazes de responder às multidões famintas por pão, trabalho, justiça, dignidade e segurança social ou se apenas estão preocupados com o cargo pessoal".

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