Obrador não reconhece Calderón e cria governo paralelo

O líder da esquerda mexicana, Andrés Manuel López Obrador, rejeitou nesta quarta-feira a decisão judicial do tribunal eleitoral que apontou Felipe Calderón como presidente eleito e ratificou sua decisão de criar um governo alternativo."Não reconheço quem pretende se apresentar como titular do Poder Executivo Federal sem ter uma representação legítima e democrática", disse López Obrador, num comício na praça do Zocalo, no centro da capital.O Tribunal Eleitoral do Poder Judiciário da Federação (TEPJF), por unanimidade, declarou nesta quarta-feira Calderón, do Partido Ação Nacional (PAN), como presidente eleito do México. Ele vai suceder Vicente Fox a partir de 1 de dezembro.Na decisão, o tribunal admitiu que no processo eleitoral houve irregularidades, principalmente pela intervenção do presidente Vicente Fox e de organizações empresariais. Porém, considerou que não eram graves o bastante para invalidar a votação de 2 de julho.López Obrador acusou os juízes de não atuar como homens livres."Os magistrados do tribunal eleitoral se submeteram. Não tiveram o arrojo, a dignidade, o orgulho de atuar como homens livres. Optaram por validar a fraude eleitoral", disse o dirigente da esquerda mexicana, diante seus indignados seguidores.O líder da coalizão de esquerda Pelo Bem de Todos afirmou que a decisão judicial "violou a vontade popular e rompeu a ordem constitucional".O dirigente chamou Calderón de "presidente ilegítimo, espúrio, um boneco de pano" e acrescentou que manterá sua luta em favor dos mais pobres do país porque não vai "trair o povo do México".López Obrador repetiu que na Convenção Nacional Democrática, convocada para 16 de setembro, vai constituir um Governo "que conte com a legitimidade de refundar a República e a ordem constitucional".Para ele, o regime de Calderón buscará o reconhecimento dos governos estrangeiros, buscando a legitimidade que não "obteve no país". O esquerdista também previu que o futuro governante buscará o apoio de numerosos grupos empresariais e da imprensa.O tom de desafio foi mantido no discurso, com a promessa de não estabelecer nenhum acordo nem diálogo com Calderón, mantendo a resistência civil.López Obrador explicou que a Convenção servirá para decidir qual o caminho que mais convém ao México "para conseguir a transformação das instituições e restabelecer a ordem constitucional e a república real"."Vamos constituir um governo que conte com a legitimidade necessária para voltar a fundar a república e restabelecer a ordem constitucional", anunciou.A coalizão de López Obrador, porém, sofreu hoje sua primeira dissidência. O partido Convergência deve "acatar" a decisão judicial do tribunal e reconhecer Calderón, segundo o seu coordenador parlamentar, Alejandro Chanona.

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