REUTERS/Daniel Becerril
REUTERS/Daniel Becerril

Obrador põe em prática agenda populista, com venda de aviões e corte de salários

Ministério das Finanças informou que novo governo mexicano vai se desfazer de 70 helicópteros e 60 aviões, incluindo o Boeing 787 Dreamliner usado pelo ex-presidente do país; avião avaliado em US$ 218 milhões ficará nos EUA a espera de comprador

O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2018 | 11h57

CIDADE DO MÉXICO - O avião luxuoso usado para transportar o ex-presidente do México ao redor do mundo está prestes a partir em definitivo, uma das medidas do novo presidente para combater o que ele criticou como um símbolo imponente do excesso.

“Estamos vendendo todos os aviões e helicópteros que os políticos corruptos usavam”, disse Andrés Manuel López Obrador em um evento realizado em Xalapa, no Estado de Veracruz, ao final de seu primeiro dia inteiro no cargo, no domingo. A multidão aprovou aos brados.

No evento, López Obrador mencionou outras promessas de campanha populistas que cumpriu, como o fim das pensões de ex-presidentes e cortes no salário de funcionários de alto escalão do governo que ele descreveu como economias significativas.

O ministro das Finanças, Carlos Urzúa, convocou entrevista na Cidade do México na manhã de domingo diante do Boeing 787 Dreamliner para anunciar que “muito em breve” a aeronave será posta à venda.

Depois equipes de fotógrafos e cinegrafistas foram conduzidas ao avião para verem por si mesmas o interior espaçoso decorado com selos oficiais do governo nas paredes e monitores de tela plana, além do quarto presidencial e o que parecia ser um banheiro decorado com mármore.

O jato presidencial de US$ 218 milhões adquirido no final de 2012 é um de 60 aviões do governo que serão vendidos, além de 70 helicópteros, disse Urzúa.

Nesta segunda-feira, 3, ele será levado ao aeroporto de Victorville, no sul do Estado americano da Califórnia, por recomendação da Boeing enquanto espera por um novo proprietário, segundo comunicado do Ministério das Finanças.

Casa do Povo

Na manhã de sábado, pouco antes de sua posse, o político veterano de esquerda ordenou a abertura das portas de Los Pinos, a opulenta residência ocupada pelos presidentes mexicanos há oito décadas.

Famílias relaxaram nos jardins, correram pelos corredores para espiar escritórios e quartos e ouviram conjuntos musicais convidados para tocar.

Conhecido por sua vida frugal, López Obrador disse muitas vezes que não morará em Los Pinos, preferindo converter a ampla propriedade em um centro cultural.

López Obrador venceu a eleição com grande vantagem em parte por ter capitalizado o descontentamento generalizado com a elite governante do país, vista por muitos como alienada e profundamente corrupta. / REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.