Observadores da ONU suspendem atividades na Síria

Observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) na Síria suspenderam as suas atividades e patrulhas hoje por causa do aumento da violência no país, no mais forte sinal até agora de que o plano internacional de paz está se desintegrando, informou o chefe da missão, o major-general Robert Mood.

AE, Agência Estado

16 de junho de 2012 | 15h26

Ele disse que a escalada do derramamento de sangue nos últimos 10 dias representa riscos significativos às vidas de 300 observadores desarmados da ONU no país e os impedia de executar as suas funções.

Eles foram encaminhados para Síria depois que o enviado internacional, Kofi Annan, intermediou um plano de paz que incluía um cessar-fogo que deveria ter entrado em vigor em 12 de abril. Mas os dois lados continuaram realizando ataques diários e os próprios observadores foram surpreendidos pela violência em várias ocasiões.

Os observadores da ONU foram a única parte executada do plano de Annan, e neles a comunidade internacional deposita a esperança de interromper o conflito. Eles inicialmente foram enviados para monitorar o cumprimento do cessar-fogo, mas no fim das contas se tornaram as testemunhas mais independentes da carnificina entre o governo de Bashar al-Assad e os rebeldes, que em sua maioria ignoraram a trégua.

O governo da Síria, com a intenção de retomar o controle de áreas dominadas por rebeldes, lançou uma forte ofensiva nos últimos dias para reaver territórios em diversas localidades, bombardeando distritos altamente populosos e atacando com helicópteros cidades e vilarejos. A oposição, por sua vez, coordena cada vez mais ataques contra as forças do regime de Assad e a infraestrutura civil.

Neste sábado, as tropas do governo mantiveram o implacável bombardeio de distritos controlados por rebeldes na cidade central de Homs, deixando pelo menos cinco mortos. Outros 12, incluindo um homem, sua esposa e seu filho, foram mortos em um ataque durante a madrugada nos subúrbios da capital Damasco.

"Os observadores não conduzirão patrulhas e permanecerão em suas localidades até nova ordem", disse Mood em um comunicado veiculado neste sábado. Ele afirmou que eles não sairão do país, e a suspensão será revisada diariamente. "As operações serão retomadas quando nós vermos que a situação nos permite cumprir as atividades exigidas", acrescentou ele. As informações são da Associated Press.

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