Observadores da UE começam a patrulhar a Geórgia

Um grupo de observadores da União Européia começou hoje a patrulhar o território georgiano, como estipulado em um acordo de paz entre a Geórgia e a Rússia. Inicialmente as forças russas tentaram ignorar esse ponto do pacto, mas cederam. As tropas de Moscou afirmaram que não deixariam que os observadores do bloco europeu entrassem na zona-tampão que circunda a província separatista da Ossétia do Sul. A posição russa despertou temores de que o país não cumpra o acordo de cessar-fogo estabelecido após a breve guerra com a Geórgia, em agosto.Mas o grupo de 300 observadores chegou a um posto de controle russo, perto do povoado de Kvenatkotsa, o perímetro da chamada "zona de segurança" russa no território georgiano. Os soldados russos liberaram em seguida o acesso à área. As tropas russas não permitiram que os jornalistas acompanhassem os observadores na área, mas estavam liberando civis georgianos, após revistarem seus carros. Outro grupo de monitores europeus chegou à comunidade de Odisi, também nas proximidades da Ossétia do Sul.Como parte do cessar-fogo, mediado pela UE, a Rússia concordou em retirar suas tropas da Geórgia, mantendo-as apenas nas províncias separatistas, a Ossétia do Sul e a Abkházia. As tropas russas também deveriam deixar a zona-tampão criada ao sul da Ossétia do Sul. "Os russos nos mostraram planos para desfazer seus postos de controle, mas não disseram quando", afirmou o chefe da missão da UE, Hansjoerg Haber.A Rússia ainda pretende manter 7.600 soldados na Ossétia do Sul e na Abkházia e não permitiu que os observadores entrassem nas províncias. O chefe da política externa da UE, Javier Solana, visitou a Geórgia ontem e mostrou confiança de que a Rússia cumprirá os prazos para retirada das tropas. "Nós esperamos muito e estamos certos de que antes de 10 de outubro essa parte da missão esteja concluída", disse Solana.O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, disse esperar a retirada dos russos. "Nós não estaremos satisfeitos até que o último soldado russo caia fora do meu país." A guerra começou em 7 de agosto, quando tropas georgianas lançaram uma ofensiva para retomar o controle da Ossétia do Sul. A Rússia enviou tropas, que rapidamente derrotaram os militares georgianos e em seguida tomaram posições em vários pontos da Geórgia. A ocupação do território georgiano pela Rússia e o posterior reconhecimento por Moscou da independência da Ossétia do Sul e da Abkházia geraram condenação do Ocidente, que pediu que os russos respeitem a soberania da Geórgia.

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