Observadores internacionais elogiam referendo no Quirguistão

Votação validou permanência de governo interino; eleições parlamentares ocorrerão em outubro

Associated Press

28 de junho de 2010 | 10h20

 

BISHKEK - Observadores internacionais elogiaram nesta segunda-feira, 28, a realização do referendo constitucional do Quirguistão, dizendo que a votação foi conduzida de forma transparente e pacífica apesar do clima tenso gerado pelos recentes distúrbios étnicos no sul do país.

 

Enquanto a Organização para a Segurança e Cooperação da Europa (OSCE) admitiu que houve algumas falhas, sua aprovação ao processo da votação foi a prova de legitimação do governo interino que assumiu o poder depois do golpe que derrubou o presidente Kurmanbek Bakiyev em abril.

 

Mais de dois terços dos 2,7 milhões de eleitores na nação da Ásia Central aprovaram a nova Constituição que reduz o poder presidencial e dá mais autoridade ao parlamento. O referendo foi visto como um teste da confiança da população no governo interino de Roza Otunbayeva.

 

Muitos temiam que a o referendo reiniciaria a violência étnica que deixou centenas de usbeques mortos e centenas de milhares de refugiados no início do mês, quando a maioria quirguiz atacou vilarejos da outra etnia no sul do país. "Considerando o ambiente de extrema dificuldade no qual o referendo aconteceu, apenas semanas após os conflitos, as autoridades provisórias merecem créditos pelo memorável processo pacífico de votação", disse Boris Frlex, chefe da missão de observação da OSCE.

 

Algumas falhas apontadas pela organização incluem a falta de mecanismos de segurança contra votação múltipla, sem o registro de eleitores que já haviam votado, e equipes eleitorais que desconheciam os procedimentos. "A atmosfera de medo e intimidação em áreas do sul, aliadas à prisão de figuras proeminentes da comunidade usbeque, podem ter dissuadido alguns eleitores a ir votar", aponta o comunicado da OSCE.

 

Poder

 

Roza Otunbayeva, que agora tomará posse oficialmente como presidente, disse que formará um novo governo e que eleições parlamentares serão realizadas em outubro. O governo interino, porém, formado por vários blocos políticos diferentes, pode ser um risco à estabilidade do país.

 

Vários dos aliados de Roza aliados lideram partidos políticos diferentes que se enfrentarão nas eleições parlamentares. A presidente pediu que eles renunciem a seus cargos em julho para assegurar que nenhum dos partidos tenha vantagem nas eleições por ter seus membros já no governo.

 

Como presidente, Roza terá bastante poder durante três meses antes das eleições e poderá apontar ministros, fazer decretos presidenciais e influenciar a mídia estatal, o que pode gerar críticas contra seu partido por ter uma vantagem injusta na campanha eleitoral.

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