Observadores são recebidos com protesto anti-Assad

Emissários da Liga Árabe chegam a um dos epicentros dos distúrbios sírios, em meio à manifestação de dezenas de milhares contra Damasco

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2011 | 03h02

Observadores da Liga Árabe foram recebidos ontem na cidade de Homs - um dos focos dos nove meses de distúrbios na Síria - com uma manifestação contra o regime de Bashar Assad que reuniu dezenas de milhares de pessoas. Segundo a oposição, 70 mil sírios integraram os protestos na cidade, que tem cerca de 800 mil habitantes. Horas antes da chegada dos emissários árabes, o Exército sírio havia se retirado de Homs.

Opositores afirmam que 34 civis morreram na cidade em 24 horas. Ontem, segundo relatos de moradores de Homs, policiais tentavam com disparos de bombas de gás lacrimogêneo impedir manifestantes de se juntar à multidão.

A primeira equipe de 50 observadores da Liga Árabe chegou na segunda-feira à Síria. Os funcionários de governos da região devem averiguar se Assad está cumprindo sua promessa de retirar as tropas das ruas, cessar a repressão, libertar presos políticos e promover a liberalização de seu regime.

O principal objetivo da missão é evitar que a situação na Síria se deteriore para uma guerra civil. O general sudanês Mohamed Dabi (mais informações nesta página), chefe dos observadores, prometeu que emissários do bloco seguirão na cidade. "Vou a Damasco, mas voltarei a Homs amanhã (hoje)", afirmou Dabi. "A equipe, porém, ficará na cidade."

Questionado sobre suas primeiras impressões, o general disse apenas que "os dois lados estão respondendo muito bem", referindo-se ao governo sírio e aos opositores.

Os 50 observadores serão divididos em times de 10 e deverão visitar outras cidades onde têm sido registrados conflitos. Até o início de janeiro, o número de emissários chegará a 150.

Em um vídeo registrado por ativistas e veiculado na rede de TV Al-Jazeera, residentes do bairro de Bab Amr, de Homs, tentam falar com os funcionários observadores do bloco árabe. "Venha ao meu bairro, venha à minha rua. Pessoas estão morrendo, há atiradores nos tetos, não podemos andar na rua", diz um homem não identificado a um emissário árabe. "Estamos desarmados, somos civis. Venha ver, eles estão nos massacrando!"

A veracidade do filme não pôde ser comprovada por fontes independentes, pois a Síria restringe a entrada de jornalistas estrangeiros.

Em Khalidiya, bairro que tem concentrado a violência em Homs, cerca de 20 mil manifestantes se reuniram numa praça. Segundo um opositor ouvido pela agência Reuters, a multidão decidiu apenas se concentrar no local porque temia avançar para o centro da cidade.

Os manifestantes erguiam bandeiras e gritavam "Deus é grande", convidando "irmãos do bairro" a descerem de seus apartamentos e se juntarem a eles. Mulheres eram desaconselhadas a participar do protesto pelo risco de serem agredidas.

A TV estatal síria mostrou protestos pró-Assad em Homs. Ainda de acordo com a emissora, "terroristas" explodiram um oleoduto na cidade. Se confirmada a informação, esse será o quinto ataque à infraestrutura petrolífera em dois meses. / REUTERS

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