OCDE defende ação contra paraísos fiscais

Após denúncia de redes de jornais, entidade diz que é necessária maior transparência no manejo de fundos em países em desenvolvimento

LONDRES, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2013 | 02h04

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) considerou ontem "inaceitável" que grande parte da economia mundial trafegue por paraísos fiscais. A advertência foi feita em meio à repercussão de uma série de reportagens investigativas de 38 veículos jornalísticos, entre eles o americano Washington Post e o britânico The Guardian, sobre evasão fiscal em 170 países.

O diretor do Comitê de Assistência para o Desenvolvimento da OCDE, Erik Solheim, disse ao Guardian que "é preciso uma ação imediata contra o problema, especialmente em países em desenvolvimento".

"Obviamente, temos de esperar pelo melhor, mas não podemos esperar. Temos uma enorme oportunidade de estabelecer agora um código fiscal justo", disse Solheim ao Guardian. "Na Noruega, as companhias petrolíferas pagam 78% de imposto, mas sabem que terão lucros de longo prazo em vez de lucros astronômicos."

Um exemplo citado pelo executivo da OCDE é o Paquistão, onde a luta contra a evasão fiscal foi colocada como condição para a concessão de ajuda financeira pela Grã-Bretanha. "De maneira geral, a chave é a transparência. Precisamos exigir transparência quando as pessoas estão transferindo dinheiro", acrescentou Solheim.

Grã-Bretanha. Em uma nova reportagem da série sobre paraísos fiscais, o Guardian publicou que o primeiro-ministro David Cameron foi pressionado a agir contra paraísos fiscais em territórios britânicos durante uma reunião de cúpula do G-8, em junho. As Ilhas Virgens Britânicas, indica a série de reportagens do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (Ciji), da qual o Guardian faz parte, é um dos principais destinos de dinheiro não contabilizado de executivos, criminosos e políticos. Segundo o levantamento do Ciji, estão na lista de usuários desses paraísos fiscais Jean-Jacques Augier, tesoureiro de campanha do presidente francês, François Hollande, e parentes do ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe.

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