Ocidente deve ver em novo vice-presidente um aliado

Omar Suleiman, nomeado vice-presidente do Egito

REUTERS, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2011 | 00h00

Veterano de duas guerras e hábil negociador diplomático, o homem escolhido pelo presidente egípcio, Hosni Mubarak, para ser o número 2 de seu regime, Omar Suleiman, já era figura-chave nos bastidores da política do Cairo. Suleiman comandava há 17 anos o serviço militar de inteligência do Egito, conhecido no mundo árabe como "mukhabarat", cuidando dos segredos do regime de Mubarak.

A nomeação de Suleiman para vice-presidente carrega duas importantes mensagens. Pela primeira vez desde que assumiu o poder em 1981, Mubarak designou um sucessor - finalmente acabando com a especulação de que ele seria seu filho Gamal. E seu sucessor tem a total confiança dos militares - cujo papel será crucial no desdobramento da situação política egípcia.

Em 1995, dois anos depois de assumir o serviço secreto do Egito, Suleiman salvou a vida de Mubarak em uma tentativa de assassinato na Etiópia. Também exerceu papel fundamental no combate a insurreições armadas por grupos egípcios radias, como a Jihad Islâmica.

Durante os 30 anos anteriores, em que serviu ao Exército, lutou contra Israel em 1967 e em 1973. Como inúmeros oficiais egípcios de sua geração, recebeu treinamento na antiga União Soviética.

Nos últimos anos, suas preocupações foram em relação à questão palestina, realizando a mediação entre o Fatah e Hamas, que tem simpatia no Egito por causa do controle que exerce em Gaza e de suas ligações com a Irmandade Islâmica.

Suleiman apareceu bastante nos telegramas diplomáticos divulgados pelo WikiLeaks. Em uma reunião com militares americanos em 2009, explicou que "sua meta regional era combater o radicalismo, especialmente em Gaza, Irã e Sudão", segundo um despacho. Os EUA e outros governos ocidentais deverão considerá-lo um aliado. Não se sabe, porém, por quanto tempo.

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