freesakineh.org/Reprodução
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Ocidente mantém 'dois pesos e duas medidas' sobre pena de morte, diz Irã

Ahmadinejad critica campanha em favor de Sakineh e diz que condenação de americana foi ignorada

Associated Press

21 de setembro de 2010 | 12h38

TEERÃ - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, criticou a mídia dos países do Ocidente por manter um padrão de dois pesos e duas medidas ao reportar o caso de uma americana condenada à morte, informou nesta terça-feira, 21, uma agência de notícias do país.

 

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Ahmadinejad acusou o Ocidente de fazer propaganda contra a execução de Sakineh Mohammadi Ashtiani, iraniana condenada à morte por adultério e cumplicidade no assassinato do marido, e deixar de lado o caso da execução de Teresa Lewis no Estado da Virginia, segundo informações da agência Irna.

 

Teresa foi sentenciada à morte e deve receber a injeção letal na quinta-feira. Ela foi condenada por usar sexo e dinheiro para persuadir dois homens a matar seu marido e seu afilhado para receber o dinheiro do seguro de vida. Ela será a primeira mulher executada no Estado em quase cem anos, e a primeira no país em cerca de cinco anos.

 

Ahmadinejad notou que "milhões de páginas na internet" se dedicaram a protestar contra a sentença de Sakineh, "enquanto ninguém se opõe ao caso da americana que será executada", disse ele durante um discurso para clérigos em Nova York, onde participa da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

Sakineh foi condenada em 2006 por manter relações ilícitas com dois homens após ficar viúva, o que, segundo a lei islâmica, também é considerado adultério. Primeiramente a pena foi de 99 chibatadas, depois convertida em morte por apedrejamento. Posteriormente o apedrejamento foi suspenso continua sendo avaliado pela Justiça, mas a pena de morte segue vigente e deve ser cumprida com o enforcamento.

 

Em julho deste ano, seu advogado Mohammad Mostafaei tornou público o caso em um blog na internet, o que chamou a atenção da comunidade internacional. Perseguido pelas autoridades iranianas, ele fugiu para a Turquia, de onde buscou asilo político na Noruega.

 

O governo brasileiro ofereceu refúgio a Sakineh, o que foi rejeitado por Teerã. A pena de morte foi mantida por um tribunal de apelações, que acrescentou ao caso a acusação de conspiração para a morte do marido.

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