Ocidente pode atacar Síria em dias, dizem enviados a rebeldes

Líderes da oposição síria e diplomatas dos EUA e outros governos se reuniram em Istambul

O Estado de S. Paulo,

27 de agosto de 2013 | 17h47

AMÃ/BEIRUTE - As potências ocidentais podem atacar a Síria em poucos dias, disseram enviados dos Estados Unidos e seus aliados aos rebeldes sírios que combatem o presidente Bashar Assad, segundo afirmaram à Reuters nesta terça-feira, 27, fontes que participaram de uma reunião entre líderes da oposição e diplomatas.

Forças dos EUA na região estão "prontas para agir", disse o secretário da Defesa Chuck Hagel, enquanto Washington e seus parceiros europeus e do Oriente Médio tratavam sobre uma resposta ao regime de Assad pelo ataque com armas químicas na semana passada, que matou centenas de civis nos subúrbios de Damasco.

Várias fontes que participaram da reunião em Istambul entre líderes da oposição síria e diplomatas de Washington e outros governos disseram à Reuters que os rebeldes foram aconselhados a esperar a ação militar e a se preparar para negociar a paz. "Foi dito à oposição em termos claros que a ação para deter mais uso de armas químicas pelo regime de Assad poderia acontecer já nos próximos dias e que eles ainda deveriam se preparar para negociações de paz em Genebra."

Ahmad Jarba, presidente da Coalizão Nacional Síria, se encontrou com enviados de 11 Estados no grupo Amigos da Síria, inclusive Robert Ford, o embaixador dos EUA na Síria, em um hotel em Istambul.

A equipe de investigadores da Organização das Nações Unidas (ONU) que verifica o uso de armas químicas adiou uma segunda viagem aos subúrbios de Damasco, que deveria ocorrer nesta terça-feira, por motivos de segurança.

Decisões. Com a oposição de russos e chineses - e os eleitores ocidentais cansados de novas e distantes guerras -, os líderes ocidentais podem não puxar o gatilho ainda. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, chamou de volta o Parlamento de seu recesso de verão para uma sessão sobre a Síria nesta quinta-feira.

Ele e o presidente dos EUA, Barack Obama, além do presidente francês, François Hollande, discutiram sobre como uma possível intervenção, provavelmente limitada a bombardeios, iria terminar e como agir se Assad for derrubado.

Na França, que assumiu a postura de líder na ajuda aos rebeldes líbios para derrubar Muamar Kadafi em 2011, Hollande estava prestes a se dirigir aos embaixadores. Uma fonte diplomática francesa disse que Paris não tinha dúvidas de que as forças de Assad lançaram o ataque químico e não iria "fugir às responsabilidades" na resposta.

Em um indício do apoio de Estados árabes, o que pode ajudar as potências ocidentais contra prováveis vetos na ONU de Moscou e Pequim, a Liga Árabe divulgou um comunicado responsabilizando o governo de Assad pelo ataque químico.

Na Arábia Saudita, o principal patrocinador regional dos rebeldes sírios, o ministro das Relações Exteriores Saud al-Faisal pediu "uma postura decisiva e séria da comunidade internacional para parar a tragédia humanitária do povo sírio."

Temores de um conflito internacional atingiram alguns mercados financeiros, principalmente na vizinha Turquia, assim como em economias emergentes, que podem ser duramente atingidas por um resfriamento no comércio mundial./ REUTERS

 
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