Ocidente politizou caso de iraniana condenada, diz Teerã

Para preservar os poucos aliados que tem, o Irã tem poupado o Brasil de críticas ligadas ao caso de Sakineh Ashtiani, iraniana condenada à morte. Teerã, porém, não perdoa o Ocidente, acusando-o de ingerência em assuntos internos. Para os iranianos, o caso está sendo usado por norte-americanos e europeus para afastar o Brasil do Irã e "abalar a amizade" entre o país e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

AE, Agência Estado

18 de agosto de 2010 | 07h35

Ontem, o porta-voz da chancelaria do Irã, Ramin Mehmanparast, fez a mais dura crítica até agora aos países que pedem a liberdade de Sakineh, condenada à morte por adultério, depois sentenciada à forca por assassinato do marido. Mehmanparast avisou que a questão é um assunto. "Não aceitaremos ingerência. Nações independentes não permitem que outros países interfiram em seus assuntos judiciais."

Europa, Estados Unidos e intelectuais do mundo todo pedem que a vida de Sakineh seja poupada. "Se liberarmos quem cometeu um assassinato, não haverá mais segurança. Se for o caso, podemos também pedir que esses países libertem todos aqueles que cometeram assassinatos", afirmou Mehmanparast.

Mas, sobre a oferta do Brasil de dar asilo para Sakineh, Teerã usa outro tom e não fala de ingerência. "Quando forem reveladas mais informações sobre o caso se concluirá que a atmosfera sendo criada por governantes ocidentais é um plano para causar problemas aos estreitos laços de Irã, Brasil e Turquia", alertou o porta-voz. "O Brasil entenderá que está sendo usado." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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