Ocupação da Cisjordânia e Gaza custou US$ 50 bi a Israel

Média anual da despesas militares está cifrada em cerca de US$ 600 milhões

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h48

Israel gastou US$ 50 bilhões na ocupação dos territórios palestinos da Cisjordânia e de Gaza, ao completar os 40 anos da guerra de 1967, segundo especialistas em macroeconomia. Essa soma inclui as despesas civis, isto é, a construção de assentamentos judaicos e sua manutenção; as da segurança que deve ser garantida a seus moradores pelas Forças Armadas, e o lucro cessante em relação ao Produto Interno Bruto, informa neste domingo, 10, o serviço eletrônico YNET, do jornal Yedioth Ahronoth. A média anual de despesas militares para manter o controle na Cisjordânia e em Gaza está cifrada em cerca de US$ 600 milhões, e o custo civil dos 121 assentamentos existentes, sem incluir os do distrito de Jerusalém, é maior que o das comunidades dentro do território reconhecido de Israel. Os 21 assentamentos da Faixa de Gaza foram evacuados e desmantelados entre agosto e setembro de 2005, e desde então esse território ficou sob o controle da Autoridade Nacional Palestina (ANP). O custo da manutenção é maior nos assentamentos da Cisjordânia do que nas localidades de Israel devido às despesas relacionadas à segurança - efetivos militares e policiais, iluminação especial, rotas e estradas - que o Estado deve proporcionar a seus 250 mil colonos por se tratar de cidadãos israelenses, embora vivam em territórios ocupados. Segundo o cálculo dos especialistas, o custo civil é similar ao das despesas militares: 2,5 bilhões de "shekel", cerca de US$ 600 milhões, o que também inclui subvenções estatais, isenção ou reduções de impostos e ajuda social, entre outras vantagens, como o preço muito menor dos imóveis do que em Israel. Isso acontece porque esses israelenses vivem em regiões "de prioridade nacional", motivo pelo qual o Estado teve de proporcionar a esses assentamentos a devida infra-estrutura, como estradas e rotas que contornam localidades palestinas, serviços sanitários, edifícios públicos e iluminação. Milhares de israelenses se manifestaram no sábado em Tel Aviv e Jerusalém contra a ocupação, em razão do 40º aniversário da "Guerra dos Seis Dias", com palavras de ordem como "a ocupação corrompe" e "os assentamentos são um desastre e uma vergonha para Israel". "Imagine o quanto a pobreza reduziria em Israel" sem estas despesas, disse ao jornal Ruby Nathanzon, do Centro de Macro Ciências Econômicas. A manutenção dos assentamentos contém uma "terrível distorção, um custo econômico enorme unido à carga do orçamento militar" do país, acrescentou. Segundo os economistas, aproximadamente 10% dos sete milhões de habitantes de Israel sofrem de sérios problemas de pobreza, e organizações de voluntários fornecem alimentação a dezenas de milhares de famílias necessitadas. O deputado Zvi Hendel, do Partido ultranacionalista da União Nacional, refutou esse argumento dizendo que "um Estado não se mede em dinheiro. Seria mais barato alojar os moradores da Galiléia e do deserto do Neguev em hotéis de Tel Aviv". "Também se pode dizer que em vez de fundar o Estado de Israel poderíamos arrendar várias ruas de Nova York", acrescentou. O investimento em imóveis construídos nos últimos 40 anos é avaliado em US$ 14 bilhões, e a "cerca de segurança" levantada na Cisjordânia, cuja extensão foi duplicada devido à necessidade de proteger os assentamentos, custará cerca de US$ 2,5 bilhões. A evacuação de oito mil colonos desalojados há dois anos dos assentamentos de Gaza custou ao contribuinte israelense mais de US$ 2 bilhões. O preço para evacuar os 250 mil da Cisjordânia, uma exigência dos palestinos em troca da paz, seria de aproximadamente US$ 60 bilhões.

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