Ocupações se espalham por Buenos Aires

Novos terrenos vazios e edifícios abandonados foram ocupados ontem em Buenos Aires e na região metropolitana da capital por integrantes de favelas, grupos de imigrantes sem-teto, além de argentinos empobrecidos. Proibida de reagir pelo governo, a Polícia Federal não impediu as invasões.

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2010 | 00h00

O chefe do gabinete de ministros, Aníbal Fernández, acusou o prefeito Mauricio Macri, da oposição, de ser o responsável pela crise, principalmente por não concretizar as promessas construção de moradias populares. A presidente argentina, Cristina Kirchner, sugeriu que as ocupações foram armadas por políticos da oposição: "Isso aqui tem padrinhos", afirmou.

Na semana passada grupos de imigrantes bolivianos e paraguaios ocuparam um setor do Parque Indo-Americano, em Buenos Aires. A polícia, que tentou remover o grupo, matou três imigrantes. Desde o fim de semana, mais de 13 mil pessoas vivem no local. Sem água e banheiros, os moradores do assentamento enfrentam o calor e reclamavam que a polícia não lhes permite buscar alimentos fora dali.

O assentamento foi criado originalmente por imigrantes bolivianos e paraguaios que residem na Argentina. Mas, desde o fim de semana, muitos argentinos se mudaram para o local.

A poucos quarteirões dali, um grupo de sem-teto ocupou um terreno pertencente a um clube esportivo. Os moradores do bairro de Villa Lugano arremessaram pedras contra os sem-teto, além de coquetéis molotov. Ontem, foram invadidos um terreno baldio no bairro de Barracas e terreno onde estavam empilhados contêineres em Villa Lugano. Um dos líderes da ocupação afirmou: "Precisamos de moradia. Vamos pagar por ela, não queremos nada de presente."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.