JF DIORIO /ESTADAO
JF DIORIO /ESTADAO

Odebrecht é acusada de omitir parte de base de dados sobre propinas

Consórcio de jornalistas afirma que teve acesso a mais de 13 mil novos documentos não entregues a autoridades; empresa nega omissão de dados

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2019 | 21h57

WASHINGTON - A empreiteira Odebrecht foi acusada nesta quarta-feira, 26, de omitir do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e do Ministério Público Federal brasileiro parte de um banco de dados que leva a novas informações a respeito de repasses de propinas. A informação partiu do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês).

As informações se referem especialmente a países da América Latina que estabeleceram contratos ilícitos com a empresa em governos anteriores. Segundo o ICIJ, mais de 13 mil novos documentos obtidos pelo site equatoriano La Posta foram vazados de uma plataforma secreta de comunicações utilizada pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, órgão da empresa desenvolvido especialmente para administrar os repasses ilegais.

A plataforma de armazenamento chamada Drousys, utilizada paralelamente para arquivar as transações ilegais, contém registros dos valores dos repasses, além de arquivos de trocas de mensagens.

Segundo a investigação, na República Dominicana, US$ 39 milhões em pagamentos da Odebrecht foram feitos com a usina de carvão de Punta Catalina. No Peru, 17 pagamentos totalizando US$ 3 milhões foram feitos em relação ao Gasoduto Sul.

No Equador, e-mails foram encontrados mencionando pagamentos a empresas de fachada envolvidas na construção do metrô de Quito, ao custo de US$ 2 bilhões. No Panamá, US$ 18 milhões foram pagos relacionados às obras do metrô na Cidade do Panamá, e na Venezuela, o pagamento de mais de US$ 34 milhões ligados à linha 5 do metrô de Caracas.

A assessoria de imprensa da Odebrecht afirmou que “todos os documentos e testemunhos sobre fatos acontecidos no passado, até mesmo a base completa de registros dos sistemas Drousys e My Web Day do extinto Setor de Operações Estruturadas, estão há três anos sob posse do Ministério Público Federal brasileiro (MPF) e Departamento de Justiça americano (DOJ)”.

"Ou seja, (os documentos) estão disponíveis para os países que celebraram acordos de leniência com a Odebrecht e concluíram o processo de homologação. Este é um procedimento da Justiça adotado internacionalmente. Estabelece a confidencialidade da informação com o objetivo de resguardar os avanços das investigações, respeitando a soberania de cada nação e buscando a eficácia das ações legais contra os acusados", afirmou a empresa em um comunicado.

"É equivocado afirmar que houve omissão por parte da empresa ou que todos os projetos mencionados nesses documentos têm vinculação com atos de corrupção. É importante ressaltar também que há uma parte relevante de informação disponibilizada pela empresa à Justiça, em diversos países, que não veio a público, em razão da confidencialidade dos processos", disse a Odebrecht.

O Estado apurou com fontes da Procuradoria-Geral da República (PGR) que inicialmente a avaliação é a de o que foi publicado até agora não interfere nos acordos da empresa feitos no Brasil, pois a notícia trata de fatos ocorridos no exterior, fora da jurisdição brasileira.

Em entrevista ao Estado, o procurador responsável pela investigação do caso Odebrecht no Peru, Rafael Vela, informou que a base de dados do Drousys foi entregue há apenas três semanas às autoridades do país.

“As informações estão dentro do marco da delação premiada, mas são sigilosas”, afirma. “Precisamos complementar os atos e agendar novos depoimentos, além de decodificar os codinomes das planilhas”, afirma Vela. / EFE, COM CARLA BRIDI e BRENO PIRES

Tudo o que sabemos sobre:
Odebrechtcorrupção

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.