AFP PHOTO/CRIS BOURONCLE
AFP PHOTO/CRIS BOURONCLE

Odebrecht mandou aumentar doações a Keiko Fujimori no Peru

Em meio à denúncia, Justiça avalia em audiência se decreta a prisão preventiva do ex-presidente Ollanta Humala

O Estado de S.Paulo

13 Julho 2017 | 19h52

LIMA - O empresário brasileiro Marcelo Odebrecht recomendou ao representante da empresa no Peru, Jorge Barata, que aumentasse o apoio financeiro à campanha de Keiko Fujimori nas eleições presidenciais de 2011. A revelação foi feita pela revista Caretas, com base no acordo de delação premiada feito por Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato.

 

O depoimento foi recolhido por três promotores públicos peruanos que investigam as doações ao ex-presidente Ollanta Humala, que derrotou a filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade, no segundo turno daquela eleição. O juiz Richard Concepción decidiria na noite de ontem se acataria o pedido de prisão preventiva de 18 meses apresentado pelo Ministério Público contra Humala e sua mulher, Nadine Heredia. 

Na delação, Odebrecht diz que deu US$ 3 milhões à campanha de Humala por orientação do PT e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O pedido foi justificado à época por uma questão geopolítica: a proximidade ideológica entre Lula e Humala”, disse o empresário à Justiça, segundo a revista.

 

Odebrecht acrescentou, no entanto, que Barata se sentiu incomodado em apoiar Humala porque acreditava que Keiko venceria a eleição. “Naquela época sugeri a ele: se houvesse temor de represália da parte dela porque ele acreditava que ela seria a vencedora, a apoia e dê a ela mais dinheiro”, declarou o empresário brasileiro, que ressaltou que apenas barata poderia dizer exatamente quanto cada candidato recebeu.

Odebrecht lembrou ainda que era um hábito da empresa apoiar os principais candidatos em eleições em países nos quais a empresa tem interesse. “Não posso dizer na verdade quanto foi, para quem foi, mas com certeza apoiamos os principais nomes da eleição de 2011. Apoiamos Keiko e provavelmente apoiamos Alan Garcia também”, afirmou. 

A publicação cita ainda uma anotação pessoal de Marcelo Odebrecht na qual ele ressalta que era necessário “aumentar Keiko para 500”. Outra candidata que recebeu apoio da empresa foi Mercedes Araóz, hoje vice-presidente de Pedro Pablo Kuczynski.

De acordo com a revista, o Ministério Público selecionou apenas a parte da delação que dizia respeito a Humala e não investigou os casos de Keiko Fujimori e Mercedes Araóz. 

Hoje, Keiko lidera o Fuerza Popular, maior bancada no Parlamento peruano, que pressiona Kuczynski por mais poder e para conceder um indulto a Fujimori. 

Keiko usou sua conta no Twitter para negar que tenha recebido dinheiro da Odebrecht.  “Não sei que intenções teve o senhor Marcelo Odebrecht, mas nunca me reuni com ele”, disse ela. 

Depois de perder sua segunda eleição seguida por margem estreita, Keiko concentrou os esforços do seu partido no Congresso, onde aplica uma agenda anticorrupção. Desde o início do governo de Kuczynski, já conseguiu destituir três de seus ministros envolvidos em denúncias. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.