EFE/Esteban Biba
EFE/Esteban Biba

Odebrecht pagou subornos por obra e campanha política na Guatemala, diz MP

Segundo a procuradora-geral do país, construtora brasileira desembolsou US$ 17,9 milhões entre 2013 e 2014 para obter contrato de reforma e ampliação de rodovia avaliado em US$ 300 milhões; empresa se comprometeu a ressarcir valor de suborno ao Estado

O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2018 | 10h01

CIDADE DA GUATEMALA - A construtora Odebrecht pagou US$ 17,9 milhões de subornos na Guatemala para a construção de uma rodovia e a campanha presidencial do empresário Manuel Baldizón, informou na quarta-feira a procuradora-geral guatemalteca, Thelma Aldana.

América Latina repudia os políticos corruptos, mas não passa disso

Aldana indicou que do total de subornos, a Odebrecht entregou entre 2013 e 2014 aproximadamente US$ 9 milhões ao então ministro das Comunicações Alejandro Sinibaldi para ficar com a reforma e a ampliação de uma rodovia no sudoeste, que custava US$ 300 milhões.

A obra não foi concluída, mas a Odebrecht recebeu US$ 249 milhões. Entre outros beneficiados com os subornos estão empresários e advogados, alguns já detidos pelo caso.

Segundo Aldana, que apresentou a primeira fase da investigação do caso Odebrecth na Guatemala, Sinibaldi recebeu os subornos por meio de duas empresas criadas em Antigua e Barbuda, em uma prática recorrente em sua gestão de exigir dos empresários entre 5% e 15% de comissão por projeto ou pagamento de dívida.

"Vemos operações de pagamento para dar a aparência de legalidade a empresas vinculadas com o senhor Alejandro Sinibaldi", afirmou a procuradora. Ela destacou que a rota do dinheiro foi seguida depois das declarações de testemunhas protegidas e diretores da Odebrecht com base em um acordo alcançado com a empresa. 

Odebrecht age contra vazamento de delações

Para "reparar os danos", o acordo com a Odebrecht também contempla a possibilidade de que a empresa pague ao Estado guatemalteco os US$ 17,9 milhões que deu em subornos se, após o fim do contrato "de boa fé" existirem valores pendentes de pagamento a favor da empresa, entre outros "critérios". 

Sinibaldi, foragido da justiça por um caso conhecido como "Construção e Corrupção," era um homem forte do ex-presidente Otto Pérez (2012-2015), preso por uma fraude alfandegária. 

Ao mesmo tempo, o ex-juiz colombiano Iván Velásquez, presidente da Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (Cicig), uma entidade vinculada à ONU, informou que a Odebrecht pagou ao empresário Manuel Baldizón, detido nos  Estados Unidos, US$ 1,3 milhão, a maior parte para uma campanha política em 2015.

De acordo com o juiz, Sinibaldi foi a pessoa que apresentou em 2013 Baldizón a um diretor da empresa brasileira, que estabeleceu inicialmente um acordo para o pagamento de US$ 3 milhões. 

Velásquez indicou que Baldizón, candidato do desaparecido partido Liberdade Democrática Renovada (Líder), exigiu os recursos da Odebrecht porque afirmou "que seria o próximo presidente da República da Guatemala".   

Baldizón ficou em terceiro lugar na eleição de 2015, fora do segundo turno vencido pelo ex-comediante Jimmy Morales. 

Desde sábado, Baldizón, um magnata e advogado de 50 anos, está detido em Miami, Estados Unidos, por violação de leis migratórias. No domingo ele solicitou asilo ao denunciar uma perseguição política. / AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.