Ódio integrista volta-se contra população civil paquistanesa

O atentado ao Hotel Marriott de Islamabad, é uma advertência da Al-Qaeda ao Paquistão e aos EUA, que intensificaram seus ataques a esconderijos dos combatentes de Osama bin Laden no noroeste do país, segundo vários analistas. Nessas zonas tribais da fronteira com o Afeganistão, militantes da Al-Qaeda e do Taleban enfrentam uma vasta ofensiva do Exército paquistanês e a intensificação dos disparos de mísseis por parte das forças americanas. "Esse atentado traz uma mensagem: se paquistaneses e os americanos não pararem com a ofensiva aos santuários nas zonas tribais, eles responderão contra o Paquistão, caso não possam fazê-lo contra os EUA", assegurou Hasan Askari, cientista político paquistanês. Sob pressão de Washington, que põe em dúvida a disposição de Islamabad de combater o terror, o Exército paquistanês assegurou ter matado cerca de 800 combatentes islâmicos desde o início de agosto no distrito tribal de Bajaur, um feudo da Al-Qaeda sob a proteção do Taleban paquistanês, e no distrito de Swat, também no noroeste. "Essas operações revoltaram os radicais, que querem responder por qualquer meio", acrescentou Askari. Por isso, estabeleceram agora civis como alvo, enquanto a maioria dos atentados suicidas que deixaram mais de 1.200 mortos em pouco mais de um ano no país tinha como alvo as forças de segurança, avaliou o analista. O ataque de sábado é também um revés terrível para o novo presidente Asif Ali Zardari, considerado em seu país "um homem dos EUA", que horas antes acabara de pronunciar um discurso contra os terroristas. Os especialistas asseguram de maneira unânime que as autoridades devem se preparar para uma ameaça crescente.

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