OEA discute reintegração de Cuba ao bloco

Contra a vontade dos EUA, latino-americanos tentam trazer Havana de volta à organização, 47 anos depois

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

A pressão de parte dos países latino-americanos para que Cuba volte a fazer parte da Organização dos Estados Americanos (OEA) tem provocado reação contrária do governo dos EUA, em um jogo diplomático que poderá ser decidido na próxima cúpula do bloco, na cidade de San Pedro Sula, em Honduras, terça e quarta-feira.Até agora, a maior parte dos países da região está aliada ao eixo que defende o fim da suspensão imposta a Cuba em 1962. Já os americanos contam com o apoio garantido apenas do Canadá. Brasil e Chile são considerados os fiéis da balança, segundo analistas (leia mais na página ao lado), apesar de os dois governos já terem expressado apoio à reintegração."Os EUA querem um processo mais lento em relação a Cuba", disse Michael Shifter, professor da Universidade Georgetown, de Washington, e um dos diretores do grupo de estudos Diálogo Interamericano.O presidente dos EUA, Barack Obama, desde que assumiu o poder, anulou uma série de restrições que eram impostas ao regime cubano, mas ainda está relutante em aceitar o retorno de Havana à organização."Não consigo imaginar como Cuba pode integrar a OEA e eu, certamente, não apoiaria um esforço neste sentido", disse a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, em audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Segundo ela, "Cuba não estaria disposta a respeitar os termos da OEA".GUERRA FRIAEm uma posição oposta, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, diz que a suspensão dos cubanos é um resquício da Guerra Fria e deveria acabar o quanto antes.Stephen Wilkinson, do Instituto de Estudos Cubanos da Universidade Metropolitana de Londres, disse que Cuba não mudará sua postura enquanto os irmãos Castro seguirem no poder. "Não vejo como os EUA podem alterar sua posição sem perder o prestígio", disse.Jorge Castañeda, ex-ministro das Relações Exteriores do México e professor da Universidade de Nova York, disse ao Estado que figuras como os presidentes Daniel Ortega, da Nicarágua; Evo Morales, da Bolívia; Rafael Correa, do Equador; e Hugo Chávez, da Venezuela, defendem a inclusão de Cuba só para contrariar os EUA.O chanceler da Bolívia, David Choquehuanca, afirmou que os países favoráveis ao retorno de Cuba "buscam corrigir 47 anos de injustiça" e preparam uma resolução conjunta para ser apresentada na reunião em Honduras.Enquanto segue a disputa entre americanos e alguns países latino-americanos, em Havana, o diário oficial Granma afirmou que Cuba não necessita da OEA. "Há muito comprometimento com a morte, o genocídio e a mentira para que a OEA sobreviva a estes tempos. É um cadáver político. No entanto, não faltam aqueles que, na tentativa de salvar um morto, busquem emendá-lo perdoando Cuba."

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