OEA discute uma política comum contra terror

A proposta de uma política comum de segurança na América Latina, que combata principalmente o terrorismo, começa a tomar corpo em alguns países da região, a partir dos atentados ocorridos nos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, em Washington, o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) e o órgão de consultas do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar) começam a discutir até que ponto os países latino-americanos podem se envolver em uma guerra anti-terrorista junto com os Estados Unidos.Mas os países da OEA ainda se encontram divididos. Enquanto a Argentina e o Paraguai evocam apoio militar, essa possibilidade já foi descartada pelo Brasil e o México. Outras nações, entre elas o Peru, Chile Colômbia e Guatemala decidiram conceder apoio a eventuais represálias contra países envolvidos. Já Cuba, Uruguai e Costa Rica, por exemplo, alertaram sobre os riscos de uma escalada bélica. A Venezuela preferiu esperar o desfecho da decisão norte-americana antes de se pronunciar.Plano retóricoO secretário geral do Itamaraty, Luiz Felipe de Seixas Correia, acredita que desse encontro deve sair uma posição mais firme da OEA sobre o tema do terrorismo. Seixas Correia explica que, até agora, os debates sobre os ataques terroristas contra Estados Unidos se resumiram ao plano retórico, mas nenhum país latino-americano discutiu sobre a essência e medidas a serem adotadas. ?Estamos aguardando dos Estados Unidos todos os elementos sobre esses ataques para que o Conselho Permanente da OEA possa decidir que medidas tomar e, eventualmente, até convocar uma reunião extraordinária de chefes de Estado da região?, diz.Enquanto não se monta uma ação conjunta contra o terrorismo na América Latina, ações isoladas começam a ser adotadas. Na Argentina, as instituições ligadas a Israel estão hoje vigiadas ostensivamente durante 24 horas. Essa vigilância deve ficar ainda maior a partir da próxima semana com o início do julgamento de cinco argentinos (quatro ex-policias e um civil) acusados de participação indireta nos atentados contra a Associação Mutual Israelense Argentina (Amia), em julho de 1994, mas forneceram o veículo para o transporte e a colocação das bombas.?Existe plena disposição do governo argentino a incrementar a proteção a mais de 250 mil pessoas da comunidade judaica na Argentina?, diz o diretor de Comunicação da Delegação de Assistência Israelense Argentina (Daia), Adolfo Neuberger.ConsensoEm relação aos Estados Unidos, a Argentina manifestou que não vai tomar decisões precipitadas de apoio contra a luta ao terrorismo e afirmou que todas as medidas serão decididas por consenso e serão transparentes, com critérios que levem em conta o Mercosul, o Grupo do Rio e o Hemisfério.Neuberger lamenta que os países membros da OEA não tenham, até agora, utilizado esses instrumentos que regulam a região em matéria de segurança para combater as chamadas ?células adormecidas? do terrorismo na tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai). ?Trata-se de uma região-chave para o terrorismo?, acredita.Problema de Estado?O terror não é, e nunca foi, restrito a simples criminais. Trata-se de um problema de Estado e só poderá ser enfrentado de forma conjunta?, diz Neuberger, que concedeu entrevista à Agência Estado, por telefone de Buenos Aires. ?Ou se adota uma ação conjunta ou os países podem lamentar depois.?O secretário geral do Itamaraty afirma que a questão da tríplice fronteira nunca foi objeto de discussão diplomática no Itamaraty. ?Esse tema jamais veio à tona no plano diplomático?, admite o embaixador, que afirma desconhecer em qual plano ele terá de ser debatido.Ordem de ataquePara Neuberger, as ?células adormecidas? na fronteira entre os três países que fazem parte do Mercosul exercem hoje atividades comerciais ou empresarias à espera de uma ordem de ataque, a exemplo do que ocorreu na Argentina em 1993 e 1994, quando a embaixada de Israel e a Amia sofreram atentados terroristas, matando centenas de pessoas no centro de Buenos Aires.Neuberger afirma ainda que a tríplice fronteira é uma das regiões com maior potencial para preparar atentados terroristas na região, de onde, segundo ele, saem os recursos para esse tipo de ações. ?Essa zona é altamente perigosa devido à abertura das fronteiras e, na medida em que o Mercosul consolida sua integração, uma maior liberdade de trânsito de pessoas seria suicida?, disse o diretor da Daia. De acordo com ele, o controle hoje já é precário e se não houver um trabalho de prevenção conjunto será um convite para disseminar o terrorismo.ColômbiaA Colômbia, membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU, se dispôs a votar uma resolução em favor do uso da força contra o Afeganistão, desde que seja provada a participação do saudita Osman bin Laden nos atentados contra os Estados Unidos. A Colômbia vive o dilema do terrorismo e enfrenta problemas com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que ameaçaram não terminar as negociações de paz com o governo se o presidente Andrés Pastrana ceder a pressões para acabar com as zonas desmilitarizadas.

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