AP Photo/Fernando Vergara - 08/08/18
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OEA diz que pedido de extradição de opositor venezuelano deve ser ignorado

Decisão da Suprema Corte não deveria ser considerada pela comunidade internacional por se tratar de uma instituição 'fraudulenta', diz organização

O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2018 | 04h35

WASHINGTON - A Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) pediu aos órgãos internacionais que ignorassem as decisões da Suprema Corte da Venezuela, em especial o pedido de extradição contra o ex-presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges, atualmente exilado na Colômbia. O opositor é acusado pelo presidente Nicolás Maduro de ser um dos responsáveis pelo suposto atentado com drones explosivos no início deste mês.

Em comunicado, a OEA afirma que "as decisões espúrias da ilegítima Suprema Corte da Venezuela devem ser desconsideradas em uníssono pela comunidade internacional pois foram tomadas por um órgão fraudulento". A organização diz ainda que apenas três instituições venezuelanas permanecem democráticas: a Assembleia Nacional, eleita nas eleições legislativas de 2015, a Suprema Corte de Justiça, nomeada por essa Assembleia, e a Procuradoria Nacional.

Atualmente, tanto a antiga Suprema Corte de Justiça e a Procuradoria Nacional da Venezuela atuam no exílio. A Assembleia Nacional, por sua vez, perdeu poderes após a instituição da Assembleia Constituinte, que, na prática, assumiu o Legislativo do país. 

Na última sexta-feira, a Suprema Corte de Justiça autorizou o pedido de extradição contra Julio Borges e outros seis acusados pelo governo de planejar o suposto ataque com drones carregados com explosivos contra Maduro no início do mês. O aval é o primeiro passo para a diplomacia venezuelana iniciar os trâmites com a embaixada da Colômbia, Estados Unidos e Peru.

A corte classificou os supostos crimes de Borges como "traição à pátria", "tentativa de homicídio", "instigação pública" e "conspiração". O líder opositor afirmou que o suposto ataque contra Maduro é uma "farsa" do governo para "perseguir opositores". Até o momento, 14 pessoas foram detidas por agentes de inteligência da Venezuela, incluindo o parlamentar da oposição Juan Requesens. //AFP

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