OEA na Venezuela, só a pedido de Chávez, diz Lafer

O Brasil somente apoiará a interferência da Organização dos Estados Americanos (OEA) nas questões políticas internas da Venezuela, mesmo a título de "cooperação", se ela for aprovada por todos os 34 países da entidade - inclusive pelo governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez.A instrução foi encaminhada nesta semana pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, ao embaixador do Brasil na OEA Valter Pecly, que representa o País na assembléia-geral iniciada nesta quinta-feira em Washington."No nosso entender, a OEA deverá prestar somente a colaboração que venha a ser solicitada pelo governo venezuelano" afirmou Lafer. "Acreditamos no princípio do consenso, ou seja, que a cooperação não pode ser fruto de imposição, mas de entendimento", completou.A posição brasileira, que deverá ser seguida pelos demais vizinhos, tende a barrar possíveis pressões dos Estados Unidos em favor da interferência da OEA na reconstrução da ordem política da Venezuela, depois do golpe de Estado e do retorno de Hugo Chávez ao poder, na semana passada.Por isso, o chanceler decidiu não representar o País na assembléia-geral. "É preciso desdramatizar essa reunião", explicou. As informações recebidas pelo Itamaraty indicam que o governo americano pretende reforçar, na OEA, os debates sobre a responsabilidade do próprio Chávez no movimento que tentou derrubá-lo e discutir as instituições que sustentarão a partir de agora a democracia venezuelana.Em última instância, as discussões poderiam resultar numa possível recomendação da OEA para a realização de um plebiscito para confirmar ou não a permanência de Chávez no poder. Para o Brasil, porém, esse assunto diz respeito exclusivamente ao governo e ao povo venezuelanos.A interferência da OEA, por pressão de Washington, abriria precedente perigoso na América Latina. Os Estados Unidos já intervieram diretamente na questão de combate ao narcotráfico e à guerrilha na Colômbia - assunto que, para o País, igualmente diz respeito apenas aos colombianos.Segundo Lafer, cabe ao presidente Chávez conduzir o processo político de seu País, de diminuir a polaridade entre o governo e a oposição e estimular o diálogo. Caberá, portanto, a ele decidir se é necessário ou não o suporte da OEA."O Brasil apoiará o que a Venezuela considerar mais construtivo e apropriado, tanto no plano bilateral como na OEA", afirmou o chanceler. "Muito faz quem não atrapalha em uma situação como essa", completou.Grandes Acontecimentos InternacionaisESPECIAL VENEZUELA

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