OEA negocia envio de observadores à eleição venezuelana

Secretário-geral da entidade, Luis Almagro afirma que pretende vencer resistência do chavismo à proposta

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2015 | 02h03

Ressaltando que as eleições na Venezuela sempre ocorreram nos prazos previstos pela Constituição, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, ofereceu ontem o envio de observadores para a eleição que renovará o Legislativo venezuelano, que ainda não está marcada, mas tem de ocorrer até o fim do ano. Em todas as eleições recentes, o governo venezuelano vetou a atuação de enviados da entidade.

Principal organização do continente, a OEA tem permanecido à margem da crise interna da Venezuela. Tentativas de discutir o assunto na organização foram barradas por Caracas e outros países da região, entre os quais o Brasil.

O papel de mediador entre o governo chavista de Nicolás Maduro e a oposição tem sido desempenhado pela União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que não obteve resultados concretos até o momento.

À frente da OEA há menos de um mês, Almagro defendeu que a entidade seja "garantidora" do funcionamento da democracia na Venezuela. Mas ressaltou que isso deve ocorrer no momento certo. "Nossa participação tem de ser como a de um músico em uma orquestra sinfônica. Não podemos entrar nem tarde, nem cedo, nem fora de tom. Temos que entrar com o tom justo, que resolva o assunto e não radicalize o conflito."

Segundo ele, o envio de observadores eleitorais teria o objetivo de evitar a repetição dos distúrbios que ocorreram dias após algumas votações anteriores na Venezuela - chegando até a confrontos que resultaram em mortes de cidadãos em Caracas e em outras cidades venezuelanas.

"Nossa oferta é para participar de missões eleitorais na Venezuela e ver como podemos aproximar posições e garantir algo muito importante, que é a paz e a estabilidade das eleições", afirmou Almagro. O secretário-geral disse que negocia maneiras de vencer a resistência do governo de Maduro em relação aos observadores. "Há muitas opções e estamos trabalhando nelas", ressaltou.

O acompanhamento de eleições é uma das atribuições mais relevantes da OEA na área de promoção da democracia.

Desde o início do ano, a entidade já enviou missões para fiscalizar os processos eleitorais em São Cristóvão e Nevis, El Salvador, Bolívia, Guiana, Suriname e México. No ano passado, observadores da OEA atuaram em nove países da região durante eleições.

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