OEA prepara resolução sobre a violência na Bolívia

A Organização de Estados Americanos (OEA) deve divulgar neste final de semana uma resolução na qual os países membros vão manifestar a preocupação com os acontecimentos violentos na Bolívia. Nas últimas 72 horas, 27 pessoas morreram e mais de 150 ficaram feridas em La Paz e em outras regiões do país.A OEA deve pedir também que se observe (leia-se Estados Unidos) com mais atenção a situação econômica, financeira e política do país. "Estamos atentos aos acontecimentos e observando com muita atenção o que está ocorrendo na Bolívia, não só pela proximidade geográfica como também pelos interesses brasileiros no país", disse à Agência Estado um diplomata do Itamaraty.Apesar de a situação estar aparentemente voltando à normalidade, o embaixador do Brasil em La Paz, Stélio Marcos Amarante, disse que a Bolívia vive momentos delicados dada a forte pressão de partidos de oposição que coincidem em que o presidente Gonzalo Sánchez de Lozada deveria ser afastado.Os partidos Movimento ao Socialismo (MAS) e Movimento Índio Pachacuti (MIP), liderados por dirigentes campesinos e pelos deputados Evo Morales (candidato derrotado à presidência nas últimas eleições) e Felipe Quispe Huanca, respectivamente, exigem a renúncia do presidente e do vice Carlos Mesa Gisbert, responsabilizados pelas mortes."Morales vem exigindo algumas concessões do governo, principalmente para que se reduza a intensidade do programa de erradicação do plantio de coca", disse o embaixador, por telefone de La Paz. Segundo o diplomata brasileiro, "a Bolívia tem compromissos internacionais de erradicação da coca que não podem ser rompidos".Durante o governo anterior, sob a presidência de Hugo Bánzer, a Bolívia reduziu de 40 mil hectares para pouco mais de 6 mil hectares o plantio não autorizado de coca. Apesar disso, é necessário que essa área seja ainda erradicada, mantendo apenas as 12 mil hectares para o consumo dos camponeses bolivianos, tradição milenar.Embora a Bolívia tenha reduzido o plantio de coca, o país não recebeu a contrapartida para assegurar as condições financeiras suficientes para a sustentação dos camponeses, que dependem desse plantio. "Acredito que o governo boliviano e os Estados Unidos deveriam ter atendido melhor a essa reposição de perdas dos campesinos", afirmou Amarante. O embaixador informou que o governo boliviano vem tentando promover reformas profundas na economia do país, que amarga um déficit fiscal de 8,5% do PIB. "A Bolívia precisa der recursos para reduzir esse rombo."Na quinta-feira à noite, uma missão do governo boliviano embarcou para os Estados Unidos em busca de apoio financeiro para as reformas econômicas e para o Orçamento deste ano, ainda não aprovado pelo Congresso. A missão vai se reunir com funcionários do FMI, do Banco Mundial (Bird) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A Bolívia pede pelo menos US$ 800 milhões para os investimentos públicos deste ano.

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