OEA quer aprovar por consenso volta de Tegucigalpa

O retorno de Honduras à Organização dos Estados Americanos (OEA) será decidido oficialmente na quarta-feira, mas já é tido como certo por diplomatas latino-americanos. A questão não seria "se", mas "como" Tegucigalpa será reintegrada à instituição da qual foi expulsa oito dias após o golpe de 2009.

Roberto Simon, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2011 | 00h00

Vários países, incluindo o Brasil, passaram os últimos dias trabalhando para que a decisão seja tomada por consenso. Formalmente, uma maioria qualificada (dois terços dos países-membros) já garante o retorno pleno. Mas, como a expulsão de Honduras foi uma decisão consensual - da Venezuela aos EUA, todos votaram a favor -, seria "desconfortável" não chegar a uma posição comum agora, explica um diplomata.

Dois obstáculos atrapalham um entendimento completo na OEA. O primeiro é o rascunho da resolução sobre a reintegração de Honduras que tem circulado pelos corredores da organização. A redação inicial não fala explicitamente em "golpe" contra o ex-presidente Manuel Zelaya - para irritação de vários países sul-americanos. O segundo obstáculo é mais pontual: o governo do Equador reclama que, nos atuais termos, aqueles que desferiram o golpe contra Zelaya não terão de responder na Justiça por seus atos. O tema é especialmente sensível para Quito, pois o presidente Rafael Correa viu-se acuado por uma quartelada em setembro.

"Mas não é possível ser mais realista do que o rei", afirma outra fonte. "O próprio Zelaya e o (venezuelano Hugo) Chávez aceitam os termos da Declaração de Cartagena (firmada com o presidente hondurenho, Porfírio "Pepe" Lobo). A tendência é que o Equador evite o isolamento."

A negociação entre Zelaya e Lobo foi conduzida por Chávez e pelo presidente colombiano, Juan Manuel Santos. O Brasil, que abrigou o deposto em sua embaixada de Tegucigalpa, apenas olhou de longe. Já os EUA, que tradicionalmente exercem forte influência sobre a América Central, deixaram a bola para o presidente Santos. "Washington ficou feliz em ver a Colômbia assumir um papel central na mediação, ao lado da Venezuela. Os EUA não querem se arriscar e atuar diretamente na crise hondurenha", diz Michael Shifter, do centro Diálogo Interamericano.

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