AFP PHOTO / MARVIN RECINOS
AFP PHOTO / MARVIN RECINOS

OEA quer declarar ruptura institucional na Venezuela

Entidade deve votar resolução na segunda-feira, em meio à oposição da Bolívia e países do Caribe

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2017 | 23h51

Resolução que deverá ser aprovada na segunda-feira pelo Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) vai declarar que houve a ruptura da ordem constitucional na Venezuela, o que poderá levar à aplicação de mecanismos regionais de defesa da democracia, entre os quais a Carta Democrática Interamericana.

Se o texto for adotado, será a primeira vez que a invocação da carta ao país caribenho será mencionada em um documento do Conselho Permanente da OEA. A resolução também deverá convocar uma reunião de emergência de chanceleres da região para discutir a crise institucional venezuelana. O encontro de segunda-feira promete ser um dos mais tumultuados da história recente da OEA, com embates inflamados entre críticos e defensores do governo de Nicolás Maduro. O encontro foi convocado por um grupo de 20 países, entre os quais o Brasil. 

Mas não está claro se todos votarão a favor da declaração, que precisa de pelo menos 18 votos para ser aprovada. Além de países da Alba, a Venezuela conta com apoio de várias nações caribenhas, beneficiadas pela venda de petróleo subsidiado no âmbito da Petrocaribe. Pequenas, elas também temem a criação de precedentes que facilitem a intervenção da OEA em seus assuntos internos.

“Se quisermos ter apoio de um número suficiente de países, temos de reduzir a ênfase do texto”, disse o embaixador do Brasil na OEA, José Luiz Machado e Costa. “Temos de buscar um ponto de equilíbrio que obtenha, ao mesmo tempo, o máximo de adesão e o máximo de eficácia.” 

Segundo ele, os chanceleres discutirão que medidas adotar em relação à Venezuela. No extremo, elas podem abranger a suspensão do país da OEA, punição máxima prevista na Carta Democrática Interamericana.

Na quinta-feira, o secretário-geral da instituição, Luis Almagro, classificou de “golpe” a usurpação de poderes da Assembleia Nacional pelo Tribunal Supremo de Justiça. No dia 14 de março, ele havia divulgado um relatório no qual defendeu a suspensão da Venezuela da organização caso não fossem convocadas eleições em um prazo de 30 dias.

Nesta sexta-feira, Almagro reuniu-se em Washington com um dos principais líderes da oposição a Maduro, o governador de Miranda, Henrique Capriles. “Houve uma ruptura da ordem constitucional, houve um golpe de Estado, e a OEA tem de se pronunciar a respeito”, afirmou o venezuelano depois do encontro. “As instâncias internacionais têm de se pronunciar, porque as instâncias internacionais no passado foram refúgio para o atropelo do governo em meu país.”

Sua expectativa é que o Conselho Permanente aprove uma “posição firme” em defesa do restabelecimento da ordem constitucional. “Há quatro anos, tínhamos três votos para discutir a situação do meu país. Agora nós temos 20”, ressaltou. O líder opositor não vê possibilidade de avanço no âmbito do diálogo promovido pela União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

As conversas não produziram nenhum resultado e estão paralisadas desde o ano passado. “Nós não temos muito tempo”, afirmou. “Com Maduro, é possível o diálogo? Dizem que não existe impossível. Isso é o mais próximo do impossível.” 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.