OEA quer que Zelaya possa sair da Embaixada do Brasil

A Organização dos Estados Americanos (OEA), paralelamente à busca de uma solução para a crise hondurenha, pretende obter hoje do governo de facto uma autorização para que o presidente deposto Manuel Zelaya possa sair da embaixada brasileira e se abrigar em sua residência até que a negociação seja concluída. Sob o argumento de que se faz necessária uma acomodação mais apropriada a Zelaya, a iniciativa trará um alívio ao governo brasileiro. Há 16 dias, o Brasil vive o inconveniente físico, político e diplomático de ver sua embaixada em Tegucigalpa transformada em um núcleo político do presidente deposto.

AE, Agencia Estado

08 de outubro de 2009 | 09h11

Segundo um alto funcionário da OEA, o governo de facto estaria propenso a aceitar a sugestão. Zelaya ficaria recluso em sua própria casa, em Tegucigalpa, sob "proteção" da polícia e do Exército, em uma fórmula disfarçada de prisão domiciliar. Mas haveria um compromisso formal do governo de facto de que, nesse período, Zelaya não seria levado a prisões do Estado nem submetido a tribunais e poderia pedir asilo político. O presidente deposto está na Embaixada do Brasil desde que voltou a Tegucigalpa, no dia 21.

Ontem, o chanceler de facto de Honduras, Carlos López Contreras, afirmou ser desejável a "normalização do interior" da embaixada brasileira. "Que sejam desarmados os estrangeiros e hondurenhos que irregularmente se encontram no interior da missão do Brasil, pois ali, na minha opinião, só funcionários do Brasil deveriam exercer autoridade e, no exterior, só as autoridades hondurenhas", declarou no discurso de abertura da reunião com a OEA.

Exigência

Zelaya tentou ontem à noite dissuadir a Organização dos Estados Americanos (OEA) a recuar da exigência de que o governo de facto lhe restitua o poder. Um por um, os representantes da OEA enfatizaram a importância do "diálogo", enquanto Zelaya procurava demonstrar que o presidente de facto, Roberto Micheletti, enveredou por uma ditadura e deve ser pressionado a devolver-lhe o cargo.

Os chanceleres, subsecretários de Estado e diplomatas reuniram-se por uma hora e meia com o presidente deposto no gabinete do embaixador do Brasil em Honduras, convertido em escritório de Zelaya. Eles vinham diretamente do encontro com Micheletti, que também se mostrou firme na posição de não restituir o poder a Zelaya, pelo menos não antes das eleições de 29 de novembro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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