OEA recomenda saída do candidato de Préval

Relatório denuncia fraude e sugere que resultado da apuração do primeiro turno seja alterado, favorecendo cantor que ficou em terceiro lugar

Roberto Simon, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2011 | 00h00

Sob intensa pressão internacional, o presidente do Haiti, René Préval, recebeu ontem o relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA) que aponta vários casos de fraude e recomenda que o resultado do primeiro turno seja alterado. A notícia da entrega do documento aumentou a tensão nas ruas de Porto Príncipe.

A OEA concluiu que o terceiro colocado na apuração haitiana, Michel Martelly, na verdade superou em 0,3% o número de votos do número 2 na disputa, o candidato governista Jude Célestin. Assim, Martelly deveria disputar o segundo turno com a primeira colocada, a ex-primeira-dama Mirlande Manigat. Célestin acabaria eliminado.

Cabe a Préval a decisão de acatar ou não as recomendações da organização interamericana. A imprensa haitiana noticiou ontem que o presidente ficou "contrariado" com as conclusões do relatório, mas não teria força política para contrariá-lo. Préval, que solicitou o estudo da OEA após o início dos distúrbios, em 28 de novembro, teria questionado o fato de cinco dos seis membros da comissão serem dos Estados Unidos e Canadá - o outro é da Jamaica.

O vazamento do relatório também teria irritado o presidente haitiano.

Apreensão. As rádios locais de Porto Príncipe transmitiam durante o dia informações de bloqueios e barricadas na capital. Dez pessoas teriam sido presas.

Segundo o batalhão brasileiro da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), cinco ruas foram fechadas durante a madrugada por manifestantes. Pela manhã, militares brasileiros, prestes a sair para as patrulhas, estavam agitados. "Vamos que vai dar m...!", gritou um major.

No entanto, os bairros do centro da capital haitiana pareciam calmos.

"Mães e pais fiquem confiantes porque isso tudo vai mudar", dizia uma mensagem transmitida por telefone por Manigat, que lidera a corrida presidencial. Ontem ela voltou a exortar Préval a respeitar as conclusões do relatório da OEA.

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