Eduardo Munoz - 20.SET.2017/REUTERS
Eduardo Munoz - 20.SET.2017/REUTERS

OEA vê fraude e retira observadores da eleição da Guiana

Entidade diz que não há 'Justiça e transparência' na contagem de votos, que dá vitória até agora ao atual governo; embaixadores de EUA, Canadá e Reino Unido também abandonaram apuração

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2020 | 12h35

GEORGETOWN - A Organização dos Estados Americanos (OEA) anunciou ontem que retirou sua missão de observadores das eleições na Guiana por causa de preocupações com a "Justiça e transparência" da contagem de votos no país sul-americano.

Embaixadores dos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá também abandonaram a contagem dos votos para a Região 4, uma importante fortaleza do governo que inclui a capital Georgetown e é o maior distrito de votação da antiga colônia britânica.

A eleição ocorrem com o presidente, David Granger, tentando manter uma maioria no Parlamento do país, que é rico em petróleo.

Observadores internacionais haviam anteriormente pedido a Granger que não reivindicasse a vitória até que os resultados das eleições de 2 de março possam ser verificados. A OEA suspeita de fraude.

Segundo a OEA, a contagem de votos para a Região 4 "não atende ao padrão exigido de Justiça e transparência". Em um comunicado explicando a saída de seus observadores, o órgão disse que "é improvável que a contagem produza um resultado que seja crível e possa gerar confiança do público".

"A legitimidade de qualquer governo instalado nessas circunstâncias será questionável. Isso seria um golpe terrível na democracia do país. O povo da Guiana não merece isso."

Mesmo com o aviso, a Comissão Eleitoral da Guiana declarou na sexta-feira, dia 13, os resultados da Região 4, com a liderança da chapa Aliança Granger pela Mudança (ANPU-AFC), com 136.057 dos 218.927 votos, contra 77.231 do Partido Popular Progressista (PPP), de oposição. Os resultados foram imediatamente rejeitados pelo PPP.

Segundo o comissário eleitoral alinhado à oposição Robeson Benn, "um processo eleitoral justo não estava sendo entregue ao povo da Guiana".

Expressando preocupações semelhantes às da OEA, os embaixadores dos Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido e Canadá disseram que os resultados da Região 4 "não serão críveis e que um presidente jurado com base nesses resultados não será considerado legítimo".

A política da Guiana é marcada por divisões étnicas, com a ANPU-AFC no poder sendo apoiada pela comunidade afro-guiana, enquanto a PPP da oposição é apoiada pela população indo-guiana.

As eleições do país estão sendo observadas mais de perto, pois o vencedor estará no controle de um próximo boom do petróleo que transformará o país.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) espera que a economia do país registre o maior crescimento mundial neste ano, um número impressionante de 85%. / AFP

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