Ofensas ao Islã causam protestos

Em 2006, após despertar a ira dos muçulmanos com discurso, papa teve segurança redobrada

LIZ BATISTA , O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2012 | 03h01

Uma relação de causa e consequência, que invariavelmente envolve ações violentas, é estabelecida cada vez que a fina linha entre o que é considerado liberdade de expressão e blasfêmia ou ofensa aos valores religiosos muçulmanos é cruzada.

A publicação do livro Versos Satânicos, de Salman Rushdie, causou protestos de muçulmanos na Índia, no Oriente Médio e na Europa, no final dos anos 80. Religiosos islâmicos julgaram a obra ofensiva ao profeta Maomé.

Em 14 de fevereiro de 1989, o aiatolá Ruhollah Khomeini declarou o livro uma "blasfêmia contra o Islã", condenou o autor à morte e incitou muçulmanos a executarem a sentença. Rushdie vive há anos sob proteção e até hoje recebe ameaças.

O papa Bento XVI também provocou a ira dos muçulmanos ao criticar o uso da violência para impor uma religião e lembrar as palavras de um imperador do século 14, que qualificou de "desumano" o método dos seguidores de Maomé de "difundir a fé por meio da espada".

Manifestações contra o pontífice espalharam-se por países como Indonésia, Egito, Turquia e Líbano. No Iraque, um boneco do papa foi queimado. Em Gaza, cerca de 2 mil protestaram.

Entre os atos considerados mais ofensivos pelos fiéis do Alcorão - e, talvez, o que tenha causado as mais violentas reações no mundo muçulmano -, estão as charges de Maomé. Publicadas pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten, em 2005, e depois por outras publicações europeias, elas transformaram Afeganistão, Somália, Paquistão, Índia, Egito, Irã, Iraque, Indonésia, Tailândia, Bósnia, Líbano e Gaza em palcos de protestos violentos.

Embaixadas da Dinamarca foram atacadas na Síria, no Líbano e no Paquistão, onde, em 2008, um atentado suicida da Al-Qaeda matou 6 pessoas e feriu outras 35. Em 2011, o jornal francês Charlie Hebdo teve sua redação destruída por um incêndio criminoso pouco antes de publicar as caricaturas do profeta.

Em 2010, o pastor evangélico Terry Jones queimou o Alcorão durante um culto. No Afeganistão, 2 mil pessoas saíram às ruas em protesto, o escritório da ONU foi atacado e 12 pessoas morreram. Em fevereiro, soldados da Otan fizeram o mesmo, provocando violentos protestos pedindo a saída das tropas estrangeiras e prejudicando a delicada relação entre Washington e Cabul.

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