Ofensiva anglo-americana tem apoio da União Européia

A ofensiva que se desenvolve atualmente contra o terrorismo no Afeganistão constitui uma campanha militar anglo-americana que conta com o apoio político e logístico de uma ampla coalizão ocidental, principalmente européia. A União Européia que reúne quinze países foi uma das primeiras a manifestar sua inteira solidariedade ao ataque deste domingo. Os franceses e alemães mostram se solidários com a resposta norte-americana e admitem que a participação militar poderá ser ampliada, dependendo das necessidades dos aliados nas próximas horas e dos pedidos que poderão ser formulados pela administração George W. Bush. Chirac O presidente Jacques Chirac, numa declaração solene de apenas dois minutos, deixou clara a posição francesa, após ter revelado ter sido informado da iminência do ataque horas antes pelo presidente Bush. Chirac disse que a França vai cumprir com a sua parte na luta "para destruir, no interior do Afeganistão, as redes de terroristas e os que as apoiam". Por enquanto, segundo Chirac, dois navios franceses (um deles é um petroleiro de reabastecimento), estão associados às primeiras operações militares. Ele destacou também a cooperação francesa nas áreas da justiça, da informação e na financeira, controlando os circuitos financeiros que alimentam as organizações terroristas. Aliados incômodos Os franceses continuam sendo considerados como aliados incômodos, mesmo porque encontram-se entre os que melhor conhecem o Afeganistão. Seus conselheiros militares apoiaram com armas e instrução o combate do comandante Massoud contra os talebans e suas forças especiais poderiam dar uma contribuição importante a essa ofensiva. Mas por enquanto Paris se mantém, do ponto de vista militar, no mínimo indispensável. Os franceses na maior parte das vezes condicionam seu apoio a decisões conjuntas, o que nem sempre é do feitio do aliado norte-americano. Na França, chamou atenção dos observadores o fato do presidente George W. Bush ter insistido em afirmar no discurso anunciando o ataque de que a França apoiava e participava da operação militar, o mesmo em relação a Alemanha. Silêncio O primeiro ministro Lionel Jospin permaneceu silencioso, deixando para o ministro da Defesa, Alain Richard, a missão de comentar a ação militar contra o Afeganistão. Ele prevê que uma administração transitória com a participação da ONU, do tipo Timor Leste, poderá substituir os talebans no poder no Afeganistão. O objetivo será reconstruir uma estrutura administrativa indispensável para que uma frente de forças políticas anti-taleban, com a participação de partidários do rei Zahir Shah, da Aliança Nacional do antigo comandante Massoud, mas também de representantes das diversas etnias e clãs possam assumir responsabilidades. Campanha longa O ministro da Defesa justificou uma campanha militar mais longa pelas próprias características desse país e pela preocupação ocidental de evitar muitos sacrifícios de civis. "Trata-se de um número de objetivos elevados e dispersos, havendo necessidade que a ação se desenvolva por vagas". Além disso, há também a preocupação de evitar um forte aumento do êxodo de refugiados em direção ao Paquistão e ao Irã. Por isso, operações humanitárias poderão ocorrer já a partir desta segunda-feira, com o lançamento de viveres e medicamentos a população, buscando evitar a repetição do que ocorreu num passado recente nos balcãs, quando da guerra do Kosovo. Mas algumas organizações não-governamentais consideram que será muito difícil evitar uma nova catástrofe humanitária, pois mais de dois milhões de pessoas já estão errando pelo país, fugindo da miséria, da fome e agora dos bombardeios. Sem imagem O especialista francês, consultor de emissoras de televisão e de revistas francesas como o "Le Point", Jean Guisnel, explica que o mundo está assistindo uma guerra com fonte única, concentrada no governo norte-americano, muito mais preocupado atualmente com o controle da informação do que na época Guerra do Golfo. Hoje, nem mais a CNN está presente em Cabul, unicamente a televisão do Qatar, Al Jazira, que se encontra instalada em Cabul e que divulgou a primeira entrevista de Osama Bin Laden, falando pela primeira vez os atentados dos Estados Unidos, bem como o grupo que controla, Al Qaeda, e destacando a política favorável dos EUA em relação a Israel e contra os palestinos. Conta-gotas Segundo Guisnel, o teatro de operações é distante e ninguém pode conferir as informações a conta-gotas fornecidas pelo Pentágono sobre os alvos destruídos e os desgastes colaterais dos bombardeios. O porta-voz da Aliança do Norte na França, Ashmat Froz, anunciou em Paris que paralelamente aos ataques aéreos norte-americanos, que as forças anti-talebans da Aliança Nacional do ex-comandante Massoud deflagraram uma forte ofensiva paralela aos bombardeios nas imediações de Cabul, onde estão instalados importantes centros de treinamento dos talebans e da organização Al Qaeda. Ele teme pela população civil, principalmente, durante o segundo ataque aéreo sobre Cabul. Os únicos observadores ocidentais, muitos jornalistas europeus, encontram-se ao lado das forças da Aliança do Norte no interior do Afeganistão, mas dependem de seu avanço sobre pontos estratégicos do país. Leia o especial

Agencia Estado,

07 Outubro 2001 | 19h09

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