Ofensiva contra a radicalização

A França é o país europeu que mais envia combatentes à Síria e ao Iraque. De acordo com estimativas, em janeiro, eram 1.200 militantes

Jeff Guo, The Washington Post, O Estado de S. Paulo

16 de novembro de 2015 | 02h00

Os oito homens envolvidos nos atentados terroristas da noite de sexta-feira em Paris não foram todos identificados, mas notícias dão conta de que são de várias nacionalidades e três deles são franceses.

O presidente François Holland já havia feito insinuações sobre uma conexão doméstica em seu discurso no sábado. "Este é um ato de guerra que foi preparado, organizado e planejado fora do país, com a cumplicidade de pessoas de dentro, que uma investigação estabelecerá", afirmou.

A França, disse Hollande, "fará tudo dentro do seu poder e da lei, em todos os campos, interna e externamente, com nossos aliados que também são alvo desta ameaça terrorista".

A França, mais do que qualquer outro país europeu, luta contra a radicalização dentro de suas fronteiras. É o país que mais envia combatentes para a Síria e o Iraque entre todos os países da Europa, como mostram dados do Centro de Estudos de Radicalização e Violência Política.

De acordo com estimativas do centro, em janeiro, cerca de 1.200 militantes estrangeiros na Síria e no Iraque eram da França. Em abril, o governo francês informou que o número de jihadistas franceses era de 1.430.

Mais 3 mil pessoas na França estavam sendo monitoradas em razão de ligações com a Síria, disse na época o senador Jean-Pierre Sueur.

Com base nesses dados, a França é responsável por enviar entre um terço e a metade de todos os combatentes radicalizados da Europa que partiram para zonas de guerra no Oriente Médio. Dentre eles, 242, segundo dados oficiais do Ministério do Interior francês, retornaram à França, provocando temores de que poderiam ajudar a organizar em ataques dentro do país.

Tornou-se uma prioridade do governo francês conter o fluxo de combatentes. "A França adotará todas as medidas para dissuadir, impedir e punir aqueles que estão tentados a combater onde não têm nenhuma razão para estar", disse Hollande no ano passado. Para esse fim, o governo lançou campanhas contra o extremismo que tem como alvo a juventude descontente.

Após o ataque terrorista contra o semanário satírico Charlie Hebdo em janeiro, o governo da França anunciou um plano de US$ 480 milhões para criar comunidades e combater a radicalização online e nas prisões.

Por exemplo, o governo este ano divulgou uma série de vídeos para combater a radicalização na mídia social, onde os jovens militantes jihadistas são com frequência recrutados.

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