Ofensiva contra Gaza enfurece mundo árabe

Em protesto, Síria suspende negociações indiretas de paz; manifestações também ocorrem na Europa

AP e Reuters, Damasco, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2008 | 00h00

Os ataques de Israel contra o grupo islâmico Hamas, na Faixa de Gaza, causaram revolta no mundo árabe, culminando na suspensão das negociações indiretas de um processo de paz entre a Síria e o governo israelense. "A agressão de Israel fecha todas as portas para um acordo na região", afirmou um funcionário do governo sírio que não quis se identificar.A declaração foi feita um dia depois de a Turquia - que estava mediando as conversações de paz - condenar os ataques em Gaza. Segundo o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, Israel usou uma "força desproporcional" no território e a ação foi um "crime contra a humanidade".Israel e Síria realizaram quatro rodadas de negociações na Turquia depois que o processo de paz foi lançado em maio. As conversas, porém, foram suspensas depois que o premiê israelense, Ehud Olmert, anunciou que deixaria o cargo no início de 2009.PROTESTOSAs mortes em Gaza foram repudiadas em todo o Oriente Médio, onde ocorreram diversas manifestações contra Israel.Centenas de pessoas se reuniram em Mossul, no norte do Iraque, para queimar bandeiras israelenses. O clérigo xiita Muqtada al-Sadr criticou Israel por seus vínculos com os EUA. "O massacre de inocentes na Faixa Gaza é prova do que dizemos - tudo isso ocorre com o consentimento do governo dos EUA", afirmou o clérigo antiamericano.No Líbano, a polícia teve de usar gás lacrimogêneo para reprimir manifestantes. Manifestantes em Amã, capital jordaniana, marcharam até a Embaixada do Egito para exigir que Cairo abra sua fronteira com Gaza.O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, criticou Israel pela ofensiva e o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, emitiu um decreto religioso para que todos os muçulmanos em todas as partes do mundo defenderem os palestinos em Gaza. "Todos os combatentes palestinos e todos os devotos do mundo islâmico estão obrigados a defender as mulheres, crianças e pessoas indefesas em Gaza de todas as formas possíveis", afirmou Khamenei. "Todos os mortos nessa defesa legítima serão considerados mártires."A União Européia condenou os ataques e o chanceler britânico, David Miliband, pediu um fim imediato para a violência na região. O governo da Rússia também pediu que Israel pare de atacar Gaza. O Conselho de Segurança da ONU e o Vaticano também condenaram os ataques. A Liga Árabe convocou para quarta-feira uma reunião de emergência para discutir a situação.FRASESMuqtada al-SadrClérigo xiita iraquiano"O massacre de inocentes em Gaza é prova de que tudo isso ocorre com o consentimento do governo americano"Ali KhameneiAiatolá e líder supremo do Irã"Todos os combatentes palestinos e todos os devotos do mundo islâmico estão obrigados a defender indefesos em Gaza"

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