Mark Kulaw/Northwest Florida Daily News via AP
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Ofensiva contra o Estado Islâmico custa US$ 11,9 bi aos EUA

Gasto médio diário com operações militares é de US$ 12,8 milhões e 76% dessa verba é paga pelo contribuinte

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

22 Abril 2017 | 20h00

Fazer a guerra ao terror na Síria e no Iraque custa caro, muito caro para o contribuinte dos Estados Unidos. De acordo com um relatório do Pentágono, até o dia 28 de fevereiro, e desde 8 de agosto de 2014, as operações de ataque contra o Estado Islâmico nas duas frentes haviam exigido investimentos da ordem dos US$ 11,9 bilhões - em média, os gastos diários chegaram a US$ 12,8 milhões. 

No mesmo período, a coalizão internacional envolvida no conflito realizou 145.469 saídas de combate. Do orçamento total, 76% das despesas são bancadas pelo governo americano. A conta aumenta sempre e deve ser compatibilizada com orçamento da Defesa deste ano, US$ 585 bilhões, e com o de 2018, US$ 603 bilhões.

Há duas semanas a equação ganhou um novo componente - o nível da tensão na dura relação dos EUA com a Coreia do Norte subiu muito. Na iminência de um teste simultâneo ordenado por Kim Jong-un, de um míssil intercontinental e de sua ogiva atômica, a primeira providência da Casa Branca foi determinar o envio para a região do forte Strike Group 1. A força-tarefa naval é liderada pelo porta-aviões nuclear CVN- 70 Carl Vinson, acompanhado por dois destróieres lançadores de mísseis, um cruzador de múltiplo emprego e, bastante provavelmente, também por um submarino. O custo do deslocamento não é revelado. No entanto, é fácil estimar a despesa em dezenas de milhões de dólares - só a tripulação do CVN-70 soma cerca de 6 mil marinheiros, técnicos, especialistas, unidade aérea e pessoal de apoio. A escrita tem registro das saídas de caixa para as despesas com outros mil militares dos navios de escolta -, tudo sem contar aviões, mísseis, munições e uma dotação estranha, escondida sob a rubrica "secret expenses". 

O uso, há dez dias, da Moab - uma das 16 superbombas de 10,5 toneladas em estoque no arsenal da Força Aérea americana -, contra um complexo subterrâneo jihadista em Achim, no Afeganistão, abriu caminho para sua parceira de bombardeio de penetração, a Mop GBU-57 A/B, ainda mais pesada, com 14 mil quilos e capacidade para penetrar até 63 metros sob o solo antes de explodir. A Massive Ordnance Air Blast (Moab) custa US$ 5 milhões. A Massive Ordnance Penetrator (Mop) tem uma etiqueta de US$ 3,5 milhões. 

É um problema e tanto. O governo do ex-presidente democrata Barack Obama preservou a tropa total de 1,49 milhão de soldados. Na reserva de primeira linha, preparada para entrar em ação imediata, há perto de 1 milhão. O presidente republicano Donald Trump quer elevar o número dos ativos em mais 500 mil e expandir as bases e instalações das Forças Armadas no exterior de 90 para 135. 

Para fazer tudo isso, a previsão do caixa irá a US$ 700 bilhões até 2020, projeta um modelo preliminar apresentado em fevereiro por um grupo de consultores da campanha presidencial de Trump. 

Em março, o coronel John Dorrian, da força-tarefa formada pela aliança multinacional, confirmou o envio unilateral para a Síria de ao menos 400 militares dos EUA, marines e rangers. Grande parte do equipamento usado será fornecido na forma de doações. A contabilidade por 90 dias de ação bate nos US$ 250 milhões.

Em novembro, em um de seus últimos atos executivos, Barack Obama determinou que 8.400 soldados permanecerão “por tempo indeterminado” no Afeganistão. O desmanche da Base de Bagram, nos arredores da capital, Cabul, foi interrompido. Boa parte dos recursos já havia sido levada para a Alemanha e teve de ser enviada de volta ao Afeganistão. 

O crescente envolvimento dos Estados Unidos na luta contra o Estado Islâmico está injetando doses altas de dinheiro no complexo industrial de equipamentos de Defesa. Apenas em fevereiro, os grupos Lockheed Martin, BaE Systems e Boeing, receberam pedidos que somam perto de US$ 1,8 bilhão.

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