Ofensiva contra sequestro na Argélia termina com a morte de 23 reféns

Crise no Magreb. Grupo terrorista que tomou refinaria de gás na quarta-feira executou 7 estrangeiros após concluir que não poderia romper o cerco militar; segundo governo argelino, todos os 32 sequestradores morreram; tropas francesas avançam no Mali

LOURIVAL SANTANNA , ENVIADO ESPECIAL , NIONO, MALI, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2013 | 02h02

A sangrenta operação de resgate no complexo de gás de In Amenas, na Argélia, chegou ao fim ontem, com a morte de mais 7 reféns estrangeiros e 11 sequestradores. Segundo o governo argelino, no total, 23 cativos e todos os 32 militantes islâmicos que praticaram a ação foram mortos. Outros 16 reféns saíram vivos. As forças argelinas encontraram 15 corpos carbonizados dentro da usina, segundo uma fonte ouvida pela Reuters.

No total, havia 650 reféns, 550 argelinos e os restantes, de diversas nacionalidades. A operação enfureceu governos de países cujos cidadãos foram mortos - entre eles, americanos, britânicos, japoneses e noruegueses -, que disseram não ter sido avisados da decisão de levar adiante a operação de resgate. Um refém irlandês afirmou ter visto quatro jipes cheios de reféns explodir, ao serem atingidos por projéteis disparados por aviões argelinos, no início da ação, na quarta-feira.

Os argelinos alegaram que os radicais pretendiam fugir para outros países com os reféns. Os militantes teriam executado os últimos cativos ao perceber que não conseguiriam escapar. O grupo é vinculado à Al-Qaeda do Magreb Islâmico. Os sequestradores exigiam que a Argélia fechasse o espaço aéreo para os aviões franceses que bombardeiam as posições dos rebeldes no Mali. Em troca dos reféns americanos, pediam também a libertação do egípcio Omar Abdel-Rahman, conhecido como "o xeque cego", preso nos Estados Unidos, acusado de ordenar o atentado contra o World Trade Center de 1993.

O Exército francês concentrou suas forças ontem em Niono, a 45 quilômetros de Diabaly, cidade ocupada pelos combatentes islâmicos na segunda-feira. Um comboio partiu de Markala, onde as forças francesas estão estacionadas, para Niono, durante a tarde. O Estado contou 13 blindados, 4 veículos com canhões e 2 caminhões de transporte de tropas. Em Niono, onde estão as tropas do Mali, os franceses foram recebidos aos gritos de "Viva a França" e "Bravo" pelos moradores. O Mali foi colônia francesa até 1960. A chegada do comboio foi precedida de voos rasantes de um caça francês.

Às 20 horas locais, um comboio com um veículo blindado e dez camionetes do Exército malinês chegou de Diabaly. O tenente-coronel Seidou Sogoba, comandante do Exército em Diabaly, disse ao Estado que eles traziam munição deixada pelos "jihadistas". Segundo ele, havia três casas cheias de munição. A cidade ainda não foi reocupada pelos malineses e franceses - e os militares não revelaram quando isso deverá ocorrer.

O capitão Ibrahim Samassa, que comanda uma companhia em Diabaly, tinha dito mais cedo que os combatentes islâmicos já não eram mais visíveis. Todos seus veículos que restaram dos bombardeios franceses partiram para o norte, provavelmente refugiando-se na floresta de Ouagadou, a 150 quilômetros da cidade. O tenente-coronel Sogoba disse que os combatentes islâmicos têm armas "muito potentes e sofisticadas - e atiram com precisão".

Os invasores chegaram a Diabaly na madrugada de segunda-feira, em 42 veículos. Segundo o capitão Samassa, eles pernoitaram em Diambé, 25 quilômetros a leste, e alguns moradores alertaram o Exército malinês. À pergunta sobre por que os franceses, que sobrevoam o país desde o fim de semana, não captaram sua movimentação, Samassa respondeu que eles se deslocam em pequenos grupos.

O chanceler francês, Laurent Fabius, fez ontem um apelo para que os países africanos forneçam tropas e ajuda logística ao Exército do Mali, para substituírem a França no combate aos militantes. Líderes africanos reuniram-se em Abidjã, na Costa do Marfim, para avaliar a situação no Mali. No dia 29, haverá uma conferência de países doadores na Etiópia.

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