Ofensiva de Israel dificulta apoio aos EUA para atacar Iraque

Os Estados Unidos ganham mais um obstáculo para lançar um ataque contra o Iraque: a ofensiva de Israel sobre o escritório geral da Autoridade Palestina, em Ramallah. A iniciativa do premiê israelense, Ariel Sharon, está, na avaliação de especialistas, atrapalhando os plano de Washington de conseguir apoio da comunidade internacional para atacar Bagdá. Na avaliação da consultoria norte-americana Stratfor, Israel está dando razão para a oposição dos países árabes a um envolvimento dos Estados Unidos na região. "Os ataques suicidas por parte dos palestinos e a resposta previsível de Israel era tudo que o Iraque precisava", afirmou a consultoria. A justificativa da Arábia Saudita para se opor a um ataque ao Iraque, por exemplo, é a falta de cooperação dos Estados Unidos para evitar que Israel continue atacando os escritórios da Autoridade Palestina. Para Riad, uma ação de Washington seria a única forma para convencer os países árabes a apoiar a Casa Branca em um ataque à Bagdá. Além disso, a iniciativa de Sharon de destruir o escritório de Yasser Arafat fortalece a idéia da União Européia (UE) de que o principal problema no Oriente Médio não é Iraque, mas o conflito entre israelenses e palestinos. Com todos esses fatores, funcionários de vários governos revelaram à Agência Estado que a ofensiva diplomática dos Estados Unidos para conseguir apoio para uma nova guerra acabou ganhando novos contornos nos últimos dias. O governo de Bagdá, assim, ganha mais tempo para evitar um ataque. Desde o início da semana, o Conselho de Segurança da ONU, que estava debatendo uma resolução contra o Iraque, foi obrigado a mudar sua agenda e tratar do cerco de Israel à Arafat. Ontem, o Conselho finalmente aprovou uma resolução exigindo o fim do cerco ao líder palestino. Mas o resultado deixou claro que os Estados Unidos terão dificuldades para ganhar o apoio da comunidade internacional em temas relacionados ao Oriente Médio. A resolução, apresentada por Noruega, Bulgária, França e Reino Unido, foi aprovada por 14 votos a favor e uma abstenção, exatamente a dos Estados Unidos. A Casa Branca alegou que a resolução não condena os grupos terroristas palestinos, em uma clara indicação de apoio ao governo de Israel em sua luta contra grupos árabes.

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