Ofensiva de Israel mata líder do Hamas e põe Gaza à beira da guerra

No maior ataque ao enclave palestino em 4 anos, forças israelenses bombardeiam pelo menos 20 alvos e deixam 10 mortos

O Estado de S. Paulo,

14 de novembro de 2012 | 21h40

JERUSALÉM - Israel e o grupo palestino Hamas aproximam-se perigosamente de mais uma guerra na Faixa de Gaza, depois que o líder do braço militar da facção palestina, Ahmed Jabari, foi assassinado nesta quarta-feira, 14, em um ataque aéreo. A Força Aérea e a Marinha israelenses realizaram bombardeios contra mais de 20 alvos no enclave palestino. Segundo autoridades locais, pelo menos 10 palestinos - incluindo 2 crianças - morreram e 45 ficaram feridos.

O governo israelense afirma ter lançado a nova ofensiva em resposta a dezenas de foguetes disparados nos últimos dias por militantes de Gaza contra o sul de Israel, ferindo civis. Israel anunciou que os ataques aéreos eram “apenas o início” da operação militar, batizada de “Pilar de Defesa”. Autoridades convocaram reservistas e emitiram um alerta nacional contra ataques terroristas. Israel não descarta a possibilidade de uma ampla invasão terrestre, nos moldes da guerra iniciada em dezembro de 2008.

Em anúncio na TV israelense, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu disse ter enviado “uma mensagem clara ao Hamas e outras organizações terroristas”. “Se for necessário, estamos preparados para estender essa operação (militar)”, completou o premiê.

Jabari é o mais importante líder do Hamas morto por Israel desde a ofensiva de 2008. Ele era uma das figuras mais populares do grupo palestino, responsável pelo sequestro do soldado israelense Gilad Shalit, em 2006. Segundo o ministro da Saúde de Gaza, Mufeed Mkhallalati, forças israelenses mataram outros sete adultos - três deles, militantes islâmicos -, uma criança de 6 anos e um bebê de 11 meses. Israel culpou o Hamas pelas mortes, dizendo que militantes se escondem entre alvos civis.

Uma bomba destruiu a casa de Mahmoud Zahar, um dos principais fundadores do grupo palestino, mas ele não estava no local. Israel afirmou ter destruído depósitos de foguetes de longo alcance, capazes de atingir alvos a 40 quilômetros.

Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina e líder do Fatah - histórico inimigo do Hamas -, pediu à Liga Árabe que convocasse uma reunião para condenar a “agressão brutal” de Israel. O encontro deve ocorrer entre quinta-feira e sábado. O presidente do Egito, Mohamed Morsi, decidiu retirar seu embaixador em Tel-Aviv, enquanto, no Ocidente, países europeus pediram moderação.

Pânico

Colunas de fumaça negra dominaram o céu da Cidade de Gaza, enquanto a população buscava abrigo e militantes disparavam para o alto. Do outro lado da fronteira, em cidades e kibutzim do sul de Israel, civis corriam para abrigos antibomba ao som de sirenes de alerta. Israel afirma ter interceptado 13 foguetes disparados contra seu território.

Um vídeo divulgado pelo governo israelense mostra o momento exato do ataque que matou Jabari. O líder viajava em um carro quando, ao se aproximar de uma esquina, um míssil atingiu o veículo, que rapidamente se converteu numa bola de chamas. Não está claro se o disparo foi efetuado por um avião ou um drone de Israel.

Uma multidão correu na direção do veículo para tentar apagar o fogo. O líder guerrilheiro, entretanto, teria chegado ao hospital sem vida, envolto em um pano branco e com um saco plástico sobre o rosto.

O Hamas jurou retaliar a morte de seu comandante. “A batalha entre nós e a ocupação agora é aberta e só se encerrará com a libertação total da Palestina e de Jerusalém”, ameaçou Khalil al-Haya, integrante do comando do Hamas, diante do hospital para onde o corpo de Jabari tinha sido levado.

O governo de Gaza decretou estado de emergência e esvaziou todos os prédios públicos do território. Em sua conta no Twitter, o Exército de Israel ameaçou: “Recomendamos que militantes do Hamas, sejam de baixo escalão ou líderes, não mostrem a cara acima da terra nos próximos dias”.

A ofensiva contra Gaza vem à tona em meio a uma escalada de tensão entre Israel e seus vizinhos. Nos últimos dias, tanques israelenses efetuaram dois disparos contra a Síria em resposta a ataques contra as Colinas do Golan. Antes, a instabilidade na Península do Sinai, onde insurgentes atuam quase livremente, causava temores em Israel.

Na segunda-feira, Abbas anunciou que levará este mês à ONU um novo pedido para que a Palestina seja reconhecida como Estado.

Em janeiro, Netanyahu tentará sua reeleição, apoiado por uma coligação que inclui o partido de ultradireita Israel Beitenu, contrário à implementação do Mapa da Estrada - plano de paz impulsionado ONU, EUA, Rússia e União Europeia, que prevê a desocupação de assentamentos judaicos na Cisjordânia. Israel retirou-se de Gaza em 2005. No ano seguinte, o Hamas tomou o controle do território depois de expulsar o Fatah.

Com AP

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