Ofensiva de vendas da China está ligada a amplos gastos com Defesa

 A ofensiva da China no mercado internacional de equipamentos militares – armas e sistemas – está diretamente ligada ao crescimento de seu orçamento de Defesa. A conta é alta, aumenta sempre e é preciso obter recursos para subsidiar o “esforço de ameaça permanente” referendado pelo Congresso Nacional do Povo. 

Roberto Godoy, O Estado de S. Paulo

16 Março 2015 | 22h51

Esses gastos aumentam desde 1995 – para 2015 a previsão de investimentos é de US$ 142 bilhões. É o segundo maior pacote de despesas no setor entre as grandes economias mundiais, menor apenas que o total aplicado pelos EUA – cerca de US$ 640 bilhões. 

Os mercadores chineses são agressivos. Atuam em regiões tão diferentes quanto América Latina, Ásia, África Central e Oriente Médio. Em fevereiro, os fornecedores das empresas de Pequim estavam envolvidos na disputa de contratos independentes, em fase de decisão, cujos valores superavam US$ 3,5 bilhões. A lista de compras dos países potencialmente clientes, cuidadosamente mantida em sigilo, abrange produtos como jatos de treinamento e ataque ao solo, blindados anfíbios sobre rodas, lançadores de foguetes, mísseis navais com alcance de 100 km, corvetas, radares de controle de área, tanques, e modernos sistemas de defesa antiaérea. Além disso, há o fluxo habitual de fuzis, pistolas, munições, granadas, redes de comunicações e, claro, a planilha dos itens paralelos – fardamento, rações de longa duração, hospitais de campanha.

Bem próximo do Brasil, na Venezuela e na Bolívia, as forças aéreas locais utilizam o jato Karakorum, de treinamento e bombardeio leve. A Argentina considera receber caças supersônicos J-10, helicópteros e cargueiros de uso geral. O preço dos produtos militares da China é atraente, geralmente 30% abaixo da cotação internacional, combinando interesses comerciais e políticos. O caso argentino é típico. Enquanto negocia a revitalização das Forças Armadas com material chinês, a presidente Cristina Kirchner cedeu a Pequim uma área na Província de Neuquén, a 1.800 km de Buenos Aires, para pesquisa espacial. O programa chinês é controlado pelo Ministério da Defesa. 

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