Ofensiva digital teve início no governo Bush, em 2006

O ímpeto por trás da Jogos Olímpicos teve início em 2006, quando George W. Bush se viu diante de poucas opções confiáveis para lidar com o Irã. Na época, os aliados europeus dos EUA estavam divididos em relação ao custo que a imposição de sanções ao Irã traria para suas economias.

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2012 | 03h04

Depois de ter acusado falsamente Saddam Hussein de reconstituir seu programa nuclear no Iraque, Bush tinha pouca credibilidade para debater publicamente ambições nucleares de outro país. Os iranianos pareceram enxergar essa vulnerabilidade e, frustrados com as negociações, retomaram o enriquecimento de urânio na instalação subterrânea de Natanz, cuja existência fora revelada três anos antes.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, levou os repórteres para uma visita à instalação durante a qual ele descreveu ambições grandiosas, prevendo a instalação de mais de 50 mil centrífugas. Feita por um país que tem apenas um reator de energia nuclear - cujo combustível é fornecido pela Rússia -, a afirmação de que o combustível nuclear seria necessário para o programa nuclear civil soou suspeita para os funcionários do governo Bush.

Os mais aguerridos membros do governo Bush, como o vice-presidente Dick Cheney, insistiram ao presidente que ele levasse em consideração a possibilidade de um ataque militar contra as instalações nucleares iranianas antes que elas fossem capazes de produzir combustível adequado para o uso em armas. Concluiu-se que um ataque só teria como resultado inflamar ainda mais uma região já envolvida em guerras, sem nenhuma garantia de obter o efeito desejado.

Durante anos a CIA infiltrou peças defeituosas e plantas técnicas erradas nos sistemas iranianos - chegando até a manipular geradores elétricos importados para fazer com que estes explodissem -, mas a sabotagem não produziu resultados expressivos.

O general James E. Cartwright, que tinha estabelecido uma pequena operação cibernética dentro do Comando Estratégico dos EUA, responsável por muitas das forças nucleares americanas, juntou-se aos representantes dos serviços de informações na apresentação de uma ideia nova e radical ao presidente Bush e sua equipe de segurança nacional. Esta envolvia uma arma cibernética muito mais sofisticada do que qualquer outra já desenvolvida pelos EUA.

A meta era obter acesso aos controles do computador industrial da Usina de Natanz. Para tanto, era preciso transpor o fosso eletrônico que isolava a usina de Natanz da internet - chamado de vão aéreo, pois separa fisicamente a instalação do mundo exterior. O código de computador invadiria os computadores especializados que comandam as centrífugas. / D.S.

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