Ofensiva do governo mata 378 e fere mais de mil no Sri Lanka

Para Human Rights Watch, comandantes deveriam ser julgados por crimes de guerra, por atacar hospitais

Agências Internacionais,

10 de maio de 2009 | 06h50

Uma ofensiva do exército do Sri Lanka contra os rebeldes do Tigres do Tâmil matou, na madrugada deste domingo, 10, cerca de 378 civis e feriu mais de 1.100, de acordo com médicos do governo. Segundo o Dr. V. Shanmugarajah, este foi o dia mais sangrento já registrado na ofensiva do governo contra os rebeldes. Ele acredita que muito mais pessoas podem ter sido mortas já que a contagem foi feita apenas dos corpos trazidos até o hospital onde ele trabalha na zona de guerra, no nordeste do país. O médico disse também que muitas bombas explodiram nas proximidades dos hospitais.

 

O site TamilNet, vinculado aos rebeldes, diz que cerca de 2 mil civis podem estar mortos em função dos ataques do governo do Sri Lanka, o que o exército nega. A organização Human Rights Watch faz acusação similar, dizendo que os militares do Sri Lanka tem repetidamente atingido hospitais na zona de guerra com ataques de artilharia e aéreos e que os comandantes envolvidos nestes ataques deveriam "ser julgados por crimes de guerra".

 

Mas, segundo o porta-voz dos militares, as forças do governo estão utilizando apenas pequenas armas para conter os Tigres do Tâmil, sem a utilização de explosivos.

 

O governo enviou medicamentos para a zona de guerra nos últimos dias mas há falta de médicos e enfermeiras, o que torna difícil qualquer tratamento.

 

O número dois das forças navais da guerrilha tâmil, Chelliyan, morreu durante uma ofensiva na qual as tropas do Exército do Sri Lanka assumiram o controle de uma linha defensiva dos rebeldes no município de Karyalamulleivaikkal, o último reduto dos rebeldes no norte da ilha, nesta quinta, 8.

 

Antes, o Exército tinha informado que "o segundo no comando" da guerrilha dos Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE), identificado como Wellayan, tinha morrido nessa ofensiva.

 

Segundo um breve comunicado, as tropas tinham obtido a confirmação da morte de Wellayan ao interceptar uma comunicação dos LTTE.

 

Em 24 de abril, um alto comando do Exército afirmou que o líder da guerrilha tâmil, Vellupillai Prabhakaran, permanecia escondido na última faixa de território sob controle dos LTTE.

 

No começo do ano, as tropas governamentais intensificaram sua ofensiva contra os tigres tâmeis, que resistem em uma zona litorânea de apenas 4 quilômetros junto a cerca de 50 mil civis, segundo cálculos da ONU.

 

Matéria atualizada às 13h25

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